Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

 

REPORTAGEM ÁUDIO

Duração: 04min20seg

Entrevista, edição e realização de Daniel Pinto Lopes
 
Os treze últimos episódios de "Herman Enciclopédia", emitidos em 1997, estão reunidos "por milagre" em DVD, após uma "luta" contra a burocracia, trazendo de volta as conhecidas personagens do Provedor Diácono Remédios, Lauro Dérmio ou Mike e Melga.
 
Daniel Pinto Lopes
 
São cinco DVD's com os treze últimos episódios da série produzida entre 1996 e 1997 e transmitida na altura pela RTP.
 
De todos os episódios, Herman José não consegue definir qual foi o mais marcante, mas recorda-se das "tardes inteiras" que duravam as gravações feitas na Abrunheira, Sintra. Começavam de dia para terminarem de madrugada. Herman José afirma que chegava a estar 12 horas para apenas, no final, serem aproveitados alguns minutos.
 
"É uma coisa de malucos fazer quase uma hora de ficção numa semana útil", explica Herman ao Expressões Lusitanas, que refere ainda que, apesar do "cansaço" inerente, "quem corre por gosto não cansa".
 
"Acabávamos completamente estoirados e, depois, quando acabámos a segunda série, já não conseguia fazer rigorosamente mais nada. Foi daí que passei para os 'talk shows' e fiz o Herman 98, pois já não aguentava colar bigodes e pestanas", recorda Herman José.
 
De todas as personagens do "Herman Enciclopédia", o humorista salienta que a mais importante é a do Diácono Remédios, que está "actual" e "bastante presente".
 
"Nada mudou. Continuamos a ser calados e manietados das formas mais extraordinárias e continuamos a ter temas tabu. Se uma pessoa critica a justiça, cai-lhe uma coisa em cima; se critica a Igreja, cai-lhe um abaixo-assinado. Estamos muito longe de poder ter a chamada livre expressão", critica.
 
Com o passar do tempo já é possível olhar para os episódios através de uma outra perspectiva. Herman José confessa que nestes treze episódios, agora editados, existem alguns "menos interessantes" e que "há coisas e palha a mais".
 
"Na altura não tínhamos tempo nem critério para tirar aquilo que chamamos palha e que está nitidamente a mais. Se calhar há alguns Batistas Bastos que podiam ter durado o terço do tempo ou algumas intervenções do Diácono podiam ter o quarto do tempo. Por vezes, há um certo desequilíbrio neste aspecto", considera.
 
Contudo, Herman José sustenta que, "visto agora à luz do século XXI", há a noção de que "somos mais rápidos e temos menos tolerância para aquele 'timing' do século XX".
 
A edição deste DVD ocorre passados dez anos da respectiva transmissão na RTP. A pergunta que se coloca é: porquê só agora? Herman responde que tudo resulta de um "milagre" por parte do responsável de marketing da distribuidora de filmes Castello Lopes, que "lutou contra um mundo de burocracias inimaginável".
 
"Só um teimoso é que conseguia fazer aquilo, pois eu teria desistia cinco vezes, pelo menos", critica.
 
Neste aspecto, Herman considera que a burocracia é "um drama português", pois "somos burocráticos, atávicos e indolentes e com muito pouca memória".
 
Questionado sobre qual a origem da referida burocracia, o humorista sustenta que foram de "todos" os intervenientes, como "a RTP, autores, autorizações, compilações, arquivos". "É tudo uma maçada" e "um conjunto de forças a puxar para trás".
 
No final, Herman José confessa que não se emociona ao rever estes episódios. Apenas os vê com "carinho". O humorista diz que o "passado nunca o emociona", pois está "sempre preocupado com o futuro".


publicado por Expressões Lusitanas às 23:16 | link do post | comentar