Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

REPORTAGEM: "Dois malucos com duas guitarras" tornaram-se nos Virgem Suta

 

 

ÁUDIO:

 

O primeiro passo dado pelos Virgem Suta foi num concurso de bandas em Vila Nova de Gaia, em 2001, onde conheceram o compositor dos Clã, Hélder Gonçalves, elemento "crucial" em todo o processo de "amadurecimento" do projecto.

 

Daniel Pinto Lopes

 

Os Virgem Suta são Jorge Benvinda e Nuno Figueiredo. Conheceram-se há algum tempo em Beja. O primeiro contacto e a forma como manifestaram a vontade de seguir pelo mundo da música foram situações "caricatas".

 

"Cheguei a uma casa em que o Nuno estava sentado num sofá a tocar guitarra e eu disse 'boa noite' e ele respondeu, dizendo também 'boa noite'. Foi a nossa primeira empatia", explica, em tom humorístico, Jorge Benvinda ao Expressões Lusitanas.

 

Posteriormente, e após esta primeira "aproximação", foram viver para a mesma casa. Três a quatro meses depois, Nuno Figueiredo convidou o colega de casa para "experimentar um projecto de música portuguesa".

 

O primeiro passo foi dado num concurso de bandas em Vila Nova Gaia, em 2001. Actuaram apenas com duas guitarras acústicas e cantaram em português num concurso onde estavam em competição bandas de metal, rock, electrónica e pop.

 

Nuno Figueiredo explica que a participação neste concurso de bandas foi uma "aventura" e um "desafio". Eram, como diz, "dois malucos com duas guitarras".

 

Dois elementos dos Clã faziam parte do júri deste concurso de bandas: a vocalista Manuela Azevedo e o compositor do grupo Hélder Gonçalves, que trocou contactos com os, na altura, "dois malucos".

 

Para os Virgem Suta foram o "arrojo" e a "inovação" que despertaram o interesse de Hélder Gonçalves, um contacto que perdurou até à edição deste primeiro álbum.

 

Jorge Benvinda refere que o compositor dos Clã foi "crucial" em todo o processo de criação dos Virgem Suta, na medida em que lhes dava "referências".

 

"Na altura, Beja era um pouco mais fechada e tínhamos alguma dificuldade em conseguir sair e o Hélder foi uma mão que nos mostrou e ensinou a fazer muita coisa", reflecte Jorge Benvinda.

 

Por outro lado, Nuno Figueiredo diz que a responsabilidade de estar a trabalhar com um compositor de "referência" era acrescida. A ideia de desistir ainda esteve em cima da mesa.

 

"Tínhamos dias em que voltávamos para casa a pensar em desistir disto. Para além de estarmos ao lado de uma pessoa que admirávamos brutalmente, ele sabia mil vezes mais do que nós. No meio de cerca de cem ideias, uma ou duas ele considerava bem. Aquilo fez-nos trabalhar para caraças", recorda.

 

Nuno Figueiredo adianta que, até ao lançamento do disco, os Virgem Suta tiveram de "crescer muito".

 

Após todo um percurso de amadurecimento, de indecisões e de objectivos, o certo é que o disco já foi lançado. Contudo, todo este processo demorou cerca de oito anos, algo que, para Jorge Benvinda, foi "necessário".

 

Os Virgem Suta já estão na estrada a promover o próprio disco. Porém, falta saber o significado do nome do projecto.

 

"Virgem é uma palavra que, para nós, exprime simplicidade, mais "naif", ao fim e ao cabo. Suta é uma expressão usada em Beja para o estado de exagero, alcoólico, de suta bruta, de muita bebida. Após se ter bebido duas canecas de litro de vinho está-se mesmo num estado caótico e alguém chega ao pé e diz: Está em suta", esclarece.

 

Jorge Benvinda adianta ainda que este "exagero reveste as canções, a forma de estar e de ser" de cada um dos elementos do projecto.

 

A título de confidência, Jorge Benvinda revela ao Expressões Lusitanas que este disco tem uma "gafe" a nível gráfico no início de umas das letras.



publicado por Expressões Lusitanas às 18:00 | link do post | comentar