Domingo, 4 de Julho de 2010

Créditos fotográficos: Produção do Delta Tejo

 

O segundo dia do festival Delta Tejo registou menor afluência de pessoas em relação ao dia inaugural. Contudo, os 16 mil presentes assistiram a espectáculos de diferentes ritmos e sonoridades apresentados por vozes femininas, naquele que foi o dia das Mulheres. A Língua Portuguesa foi quase dominante neste segundo dia de festival.

 

Daniel Pinto Lopes

Enviado especial ao Delta Tejo

 

O concerto inaugural do segundo dia do evento registou-se no palco secundário. A cubana Danae, que aos três anos saiu da sua terra natal para viver em Cabo Verde, teve mais público a assistir do que Emmy Curl no dia de ontem.

 

À medida que ia cantando, Danae balanceava-se pelo palco e em redor dos seus músicos, fazendo formas e desenhos com um pequeno rolo de esponja vermelho.

 

Terminado o concerto de Danae, as atenções viraram-se para o palco principal, no qual se aguardava por Susana Félix.

 

Nestes momentos iniciais de espera, pouca gente se aglomerava na frente de palco. Com o vento a fazer das suas, a poeira varria o recinto.

 

Susana Félix inaugurou a sua actuação com ‘Fintar a Pulsação’, tema presente no álbum ‘Índigo’, de 2006.

 

A artista portuguesa combinou temas dos seus álbuns anteriores com as canções do seu último disco lançado há já três anos (2007) – ‘Pulsação’.

 

Com um vestido bastante colorido, que fazia ressaltar a sua figura em cima do palco, Susana Félix apelou, já no fim do concerto, para “termos sempre de acreditar”, “quer na família, amigos ou no país”. “Eu acredito sempre em vocês”, despediu-se a artista do seu público.

 

Enquanto decorria o concerto de Susana Félix, a cabo-verdiana Nancy Vieira contagiava o público presente no palco secundário com os ritmos africanos.

 

Das nove músicas que Nancy Vieira brindou aos festivaleiros, em que alguns optavam por estar sentados, visto que a atmosfera e a zona envolvente ao palco assim o pediam, destaca-se um tema chamado ‘Águ”, que, de acordo com a artista, tem criado alguma polémica no seu país.

 

“O letrista da música não teve intenção de fazer qualquer crítica ou de tornar este tema num elemento político”, afirmou, explicando que, apesar de Cabo Verde estar “rodeado de água”, “frequentemente” os habitantes não têm acesso a este “bem precioso”.

 

“O tema retrata a história do letrista que, quando era menino, ia de porta em porta com uma jarra a pedir água”, contou.

 

Mal tinha terminada a actuação de Nancy Vieira, a voz da fadista Ana Moura ecoava pelo recinto. Agradecendo o facto de o fado estar presente novamente no cartaz do Delta Tejo, Ana Moura cativou o público e teve o desempenho que nos tem vindo a habituar, apesar do vento e do pó que corria o recinto.

 

Ana Moura interpretou fados do seu mais recente disco “Leva-me Aos Fados”, não esquecendo o anterior “Para Além da Saudade”, através dos célebres temas ‘Os Búzios’ ou ‘O Fado da Procura’.

 

Amália foi também revisitada, através de um dos fados mais conhecidos da diva – “Vou Dar de Beber À Dor”.

 

Visivelmente satisfeita, Ana Moura ia agradecendo aos fãs e público presente. “Obrigado pelo vosso carinho e pelo vosso calor”, sublinhou.

 

Quase ao mesmo tempo que decorria o concerto de Ana Moura, no palco secundário ouvia-se o ‘soundcheck’ (teste de som) d’ Os Mutantes.

 

A banda brasileira de rock psicadélico formou-se na cidade de São Paulo (1966), quando Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee decidiram criar uma nova banda, depois de alguns projectos que chegaram ao fim por falta de consenso relativamente à linha sonora que o grupo deveria seguir.

 

Após algumas mudanças na formação do grupo e de mais três discos editados, Rita Lee abandona ‘Os Mutantes’.

 

No Delta Tejo, a banda deu a conhecer o seu novo álbum ‘Haih’, com o tema de estreia ‘Querida’, aproveitando para explicar ao público os motivos que levaram o grupo a editar mais um trabalho discográfico.

 

“Não íamos ser uma banda de ‘covers’ d'Os Mutantes’, destacou o membro da composição inicial da banda brasileira, Sérgio Dias.

 

Recorde-se que a última desistência do grupo foi a de Arnaldo Baptista, porque, disse Sérgio Dias, era “fisicamente impossível” para o artista e, desta forma, “desistiu”.

 

Um pouco mais tarde, Ana Carolina dava início ao seu concerto, um dia depois de ter pisado o palco do Coliseu do Porto.

 

Interpretando os temas clássicos da sua carreira, a brasileira destacou o apreço pela sua presença no Delta Tejo. “Desde a primeira vez que vim a este festival, eu nunca mais me esqueci”, afirmou.

 

Já a passar da meia-noite, a nigeriana Nneka fechou o palco principal do Delta Tejo. Entretanto, e no palco secundário, o ritmo musical mudou drasticamente para acolher a electrónica da dj portuguesa Mary B.

 

O segundo dia do Delta Tejo só ficou completo com os ritmos cubanos e a postura descontraída e animada de Ska Cubano, que, com interpretações em inglês e em castelhano, pôs toda a gente a dançar.



publicado por Expressões Lusitanas às 17:38 | link do post | comentar