Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

 

O futuro da televisão em Portugal passa por uma “maior atenção” ao consumidor, que pretende ter acesso aos conteúdos em qualquer momento e dispositivo. No campo das tecnologias, a alta definição já faz parte do “presente”, enquanto o 3D é visto como um “processo evolutivo”, podendo vir a tornar-se num “top de vendas”.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Os principais responsáveis pelo sector da televisão em Portugal estiveram hoje reunidos em Lisboa numa conferência promovida pelo semanário Expresso.

 

O presidente executivo da Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, refere que a tecnologia 3D vai “enriquecer a experiência do espectador”, tratando-se de um “processo evolutivo”, tendo em conta o “preço actual” dos receptores 3D.

 

Contudo, o responsável antevê que em pouco tempo os televisores com tecnologia 3D vão ser “top de vendas”.

 

Para o futuro, Zeinal Bava prevê que o consumidor seja “activo”, exigente” e não “um mero espectador”. Avança ainda que o futuro passa pela “aposta clara” nas parcerias entre os vários agentes do sector, nomeadamente junto dos produtores de conteúdos.

 

Por sua vez, o presidente executivo da ZON, Rodrigo Costa, crê que a tecnologia 3D vai “levar tempo para levantar voo”, porque, explica, “não há muitos conteúdos” nesta área. Porém, acredita que, dentro de cinco anos, o 3D pode “estar no seu topo”.

 

Para o responsável da Zon, o futuro da televisão passa pela “convergência com a Internet”, algo que não considera ser uma “ameaça”. No presente, o HD (alta definição) “vai tornar-se cada vez mais indispensável” e a sua produção “está a ser mais frequente”.

 

O administrador da TVI, Bernardo Bairrão, considera que a televisão vai “continuar a ser o centro de divertimento de cada casa”, destacando o aumento do consumo verificado nos Estados Unidos da América (EUA).

 

“Temos de estar mais concentrados na exigência do consumidor e à disponibilidade de conteúdos que este quer consumir, onde e quando quiser”, sustenta.

 

Bernardo Bairrão acrescenta ainda que a Internet na televisão é uma “grande possibilidade” de negócio, mas, por outro lado, há o “problema” da pirataria de conteúdos.

 

Por seu turno, o vice-presidente da Impresa, Pedro Norton, preferiu salientar o “carácter social da televisão”.

 

“Existe um enorme potencial na interactividade do consumidor com a televisão, mas não podemos deixar para trás a ideia do consumidor actual passivo”, diz.

 

Pedro Norton está “convencido” de que o futuro do sector vai passar pela “colaboração” entre os vários agentes e a “necessidade imperiosa de fazer alianças estratégicas”.

 

O presidente da Vodafone, António Coimbra, detalhou que, durante os últimos três anos, a concorrência em Portugal trouxe “mais valor para o mercado” e para o “cliente final”, apelando para a necessidade de “evitar abusos de posição dominante”, referindo-se a modelos de acesso a conteúdos “em condições de sustentabilidade para todos os agentes” do sector.

 

Quanto ao 3D, António Coimbra diz ter “dúvidas” em relação a esta tecnologia, sobretudo no que diz respeito às emissões regulares de televisão neste formato.

 

“Não estou a ver uma dona de casa a cozinhar com óculos 3D ou o proprietário de um café conceder estes óculos aos seus clientes”, lembrou.



publicado por Expressões Lusitanas às 19:40 | link do post | comentar