Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

 

Os trabalhadores despedidos do Rádio Clube Português (RCP) apresentaram esta semana um manifesto aos partidos políticos, no qual contestam a “descontinuação questionável” da emissora, motivo de um despedimento colectivo que consideram “injusto”, inserido num “processo pouco transparente”.

 

Expressões Lusitanas

Com Agências

 

No texto, os trabalhadores dizem que dois dias antes de a Media Capital Rádios (MCR), gestora do Rádio Clube, “dizer ao mercado que as receitas publicitárias estão a subir”, foi anunciado o fecho da rádio e o despedimento de 36 pessoas, alegando a MCR “que os prejuízos são muitos e o mercado publicitário está em crise”.


“Afinal, o fecho do Rádio Clube é uma medida de gestão, à luz das condições do mercado ou há outras razões, relacionadas com futuras movimentações accionistas?”, questionam os trabalhadores.


O despedimento colectivo e o respectivo encerramento do RCP deixam “um vazio no espaço radiofónico português”, referem, interrogando-se também sobre “o que pode levar uma empresa a acabar com uma marca radiofónica”.


Os autores do manifesto referem-se ao pedido da administração do Rádio Clube Português à Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) para mudar o nome da estação, nome esse, no entender dos trabalhadores, “património nacional”.


De acordo com o noticiado, o nome Rádio Clube Português vai acabar, tendo a Media Capital entregue à ERC um pedido de alteração de nome e de projecto, que continuará, no entanto, a ser de carácter generalista.


O Rádio Clube Português, do grupo Media Capital Rádios, cessou as emissões regulares no dia 11 de Julho, tendo a empresa anunciado que o RCP iria encerrar por ser um projecto “economicamente inviável”, decisão que implicou o despedimento de 36 trabalhadores.


A missiva agora apresentada realça que o Rádio Clube “foi feito a pensar na criação de uma rádio de palavra, quase sem música”, projecto sustentado “por uma redacção que funcionou como uma fábrica de conteúdos”, orientados para a emissão do Rádio Clube, “mas também para as rádios do grupo Media Capital”.


“Quando se diz que o despedimento colectivo agora anunciado resulta na ‘descontinuação do Rádio Clube’, é estranho não se dizer que toda a informação das rádios do grupo Media Capital foi drasticamente reduzida, porque vai deixar de ter mais de 30 pessoas a participarem na sua elaboração”, referem os trabalhadores despedidos.


“Não é demais lembrar que foi o Rádio Clube Português a incubadora do conceito de jornalismo radiofónico em Portugal”, é escrito na missiva.


O texto apresentado aos partidos representados na Assembleia da República chama também a atenção para a lei da rádio em discussão na especialidade e “para que se evitem erros que podem custar caro à rádio”.



publicado por Expressões Lusitanas às 20:55 | link do post | comentar