Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

 

O festival Sudoeste não é só música. O convívio, o divertimento, a praia e a aventura são outros dos motivos que levam milhares de jovens até à Zambujeira do Mar, uma vila que, nesta altura, “rebenta pelas costuras”.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

No caminho para a Zambujeira do Mar, feito maioritariamente por estreitas estradas nacionais, antevê-se a chegada ao destino apenas ao olhar para o pó que cobre os carros que por ali circulam.

 

O parque de estacionamento à porta do Sudoeste cobre qualquer carro acabado de lavar numa grossa camada de poeira, que dá azo à inspiração para a escrita de algumas mensagens.

 

 

Muitos aproveitaram o passe de cinco dias com direito a acampar junto ao recinto do festival. Uma boa opção para quem quer estar alojado lado-a-lado com os artistas favoritos. Contudo, é quase impossível dormir em sossego.

 

As actuações nos palcos do Sudoeste terminam com o sol quase a nascer. A animação continua nas tendas, com “djambés” e outros instrumentos musicais.

 

Por esta razão, há quem recorra ao parque de campismo da Zambujeira do Mar, que dista cerca de cinco quilómetros da Herdade da Casa Branca (local do festival). Aqui, a partir da meia-noite e até às 08:00, o silêncio é obrigatório, com risco de expulsão.

 

Durante estes cincos dias, a vila da Zambujeira “rebenta pelas costuras”. Os poucos minimercados existentes não conseguem dar conta do recado e extensas filas se formam no exterior. Alguns festivaleiros desesperam por comprar a comida e a bebida necessárias para aguentar o dia-a-dia do Sudoeste.

 

Outro local palco de enchentes é a praia. Só com alguma sorte se consegue arranjar um lugar para estender a toalha e colocar o chapéu-de-sol. Se for um grupo numeroso, a solução passa por sair do festival logo pela manhã.

 

 

Para além de se torrar ao sol e dar um mergulho no mar, a praia é uma oportunidade para alguns festivaleiros colocarem o sono em dia, tarefa complicada de se fazer no campismo do Sudoeste.

 

Entre as 12:00 e as 15:00 é o período crítico para se almoçar nos vários restaurante e cafés da Zambujeira do Mar. Há quem prefira pegar no carro e ir até um restaurante nas imediações.

 

Um exemplo é a Azenha do Mar, uma povoação que conta com algumas casas, uma praia com pedras (a erosão ainda não as desfez em areia), uma doca e um tradicional porto de pesca.

 

A grande atracção de Azenha do Mar é, porém, o único restaurante existente, sempre lotado. Passavam das 14:00 e a lista de espera continha 72 pessoas.

 

Já almoçados, os festivaleiros rumam até ao campismo no recinto do Sudoeste ou, em alternativa, instalam-se nas esplanadas dos cafés a conviver e a trocar experiências e impressões.

 

Pelas estreitas ruas da Zambujeira há sempre um espacinho para se venderem cervejas frescas, t-shirts, calças, fios e pulseiras de plástico e para se fazerem térérés e rastas. A maioria dos “comerciantes” é de nacionalidade espanhola.

 

 

Aliás, os nossos vizinhos estiveram em força no Sudoeste. Aproveitaram para ver alguns dos seus artistas favoritos e dar uma escapadela pelas praias portuguesas.

 

Durante os cinco dias, este cantinho do Sudoeste alentejano rejuvenesce e o turismo é próspero. Mal termina o festival, os jovens regressam às suas casas e a Zambujeira do Mar volta ao seu ritmo e à pacatez características.



publicado por Expressões Lusitanas às 00:13 | link do post | comentar