Domingo, 5 de Setembro de 2010

 

Mais de 35 espectáculos musicais preencheram o segundo dia da Festa do Avante na Quinta da Atalaia. As portas abriram às 10:00 e a música começou a ecoar pelo recinto por volta das 14:00, naquele que é o “verdadeiro festival da música portuguesa”, diz Pedro Abrunhosa, o cabeça-de-cartaz do palco principal.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista/Enviado especial ao Avante

 

O segundo dia do Avante teve numerosa afluência de público, tal como no dia de abertura. Em certas alturas, nomeadamente após os concertos no palco principal, era quase impossível circular com alguma fluidez pelo recinto.

 

Extensas filas serpenteavam pelas barraquinhas das organizações regionais do PCP durante a hora de jantar. Os mais precavidos levaram uma sandes ou uma geleira recheada de comida e bebida, evitando assim aguardar bastante tempo por uma refeição.

 

Para além dos debates políticos, das exibições de documentários, da mostra de peças teatrais e espectáculos de dança ou da realização de provas desportivas mum local preparado para o efeito, a componente musical cativou a maior parte dos visitantes.

 

A banda de Vila Nova de Gaia US & Them abriu as hostilidades no palco 25 de Abril, seguida de Diabo na Cruz, Cacique’97, Eina, Sebastião Antunes e Quadrilha e Bunnnyranch.

 

À hora de jantar, os Deolinda iniciavam o seu espectáculo, onde apresentaram os temas mais sonantes dos seus dois discos de originais – “Canção Ao Lado” (2008) e “Dois Selos e Um Carimbo” (2010).

 

 

Mais tarde, o colombiano Roberto Pla espalhou os ritmos latinos pela Quinta da Atalaia, antes da subida a palco do mais recente projecto da música portuguesa sob o comando de João Gil – Baile Popular.

 

 

Uma hora e meia depois, às 00:00, começava o concerto do cabeça-de-cartaz da noite. Pedro Abrunhosa levou na bagagem temas dos vários álbuns da sua carreira, incluindo a primeira música a ser censurada em Portugal 20 anos depois do 25 de Abril – “Talvez Foder” (1995).

 

“É uma canção que escrevi há 15 anos, mas, infelizmente, mantém-se actual. É preciso combater a injustiça, a corrupção e tudo o que faz mal a um país”, disse Pedro Abrunhosa durante o concerto.

 

 

O músico falou ainda sobre a sua cidade natal, referindo que o Porto “recusou” dar o nome de José Saramago a uma rua, por “ser um escritor comunista”.

 

“É o preço da ignorância. Outros fizeram muito pouco e têm nome de aeroporto”, destaca.

 

Quase no término do concerto no Avante, naquele que considera ser o “verdadeiro festival da música portuguesa”, Pedro Abrunhosa pediu para que as luzes do palco fossem todas desligadas, a fim de “receber a luz” emanada pelo público, que empunha os telemóveis ao alto.

 

“Vocês [público] foram o espectáculo e eu vim deliciar-me convosco”, conclui Pedro Abrunhosa.

 

Contudo, a música não fica apenas circunscrita ao palco 25 de Abril. O Auditório 1º de Maio propôs as actuações dos lisboetas Stonebones & Bad Spaghetti, Claud, Monte Lunai, Ricardo Pinheiro Sexteto, Adriana, A Naifa, The Flawed Cowboys, Bernardo Sassetti Trio, Cambatango e Orquestra de Jazz de Matosinhos.

 

Por sua vez, o Palco Arraial dedicou-se à apresentação de inúmeros ranchos folclóricos e grupos corais e etnográficos.

 

Hoje, 05 de Setembro, é o último dia do Avante, que, para além da componente cultural, vai ser marcado pelo comício do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.



publicado por Expressões Lusitanas às 02:23 | link do post | comentar