Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

Galandum Galundaina e o troféu (um disco de vinil)

 

O grupo de música tradicional mirandesa Galandum Galundaina e o cineasta Tiago Pereira venceram a primeira edição dos Prémios Megafone, que ontem se realizou no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Em estreia esteve também Jel, dos Homens da Luta, na apresentação de um espectáculo.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Os três nomeados para o Prémio Megafone Música – Bandarra, Galandum Galundaina e O Experimentar Na M’Incomoda – interpretaram ao vivo alguns dos seus temas compostos por sonoridades da música tradicional portuguesa.

 

No final, a vitória recaiu para o colectivo de Miranda do Douro. Os Galandum Galundaina asseveram ao Expressões Lusitanas “não esperar” pela vitória.

 

“Não estávamos obcecados. O estar aqui no CCB já era em si uma vitória”, refere Paulo Preto, um dos elementos do colectivo.

 

Na estrada desde 1996, os Galandum Galundaina exploram uma “sonoridade nova”, apresentam “a carga cultural” da terra que os viu nascer, patente na escolha do mirandês, e não utilizam instrumentos musicais convencionais, “como a guitarra eléctrica ou a bateria, por exemplo”, detalha Paulo Preto.

 

Chegar ao vencedor do Prémio Megafone Música não foi, contudo, uma tarefa “fácil”. “Nos trabalhos enviados, O Experimentar Na M’Incomoda surpreendeu-nos e era a proposta mais arrojada. Porém, o espectáculo dos Galundum Galundaina [no CCB] foi soberbo e as coisas deram a volta”, explica ao Expressões Lusitanas o músico Luís Varatojo, um dos jurados.

 

Não prevista estava a atribuição de uma menção honrosa a O Experimentar Na M’Incomoda, de Pedro Lucas. “Ele ainda não tem disco editado, apesar de já ter tudo preparado para tal”, garante o elemento do júri. Neste sentido, e para possibilitar tal facto, foi-lhe atribuído o referido galardão.

 

Já no Prémio Megafone Missão, a escolha do vencedor recaiu para o cineasta Tiago Pereira, pela realização do documentário “Significado – A música portuguesa se gostasse dela própria”.

 

“Como é que teria sido crescer a ouvir música do nosso tempo, como ‘drum n bass’ ou ‘dance’, se tivesse sido feita com sonoridades portuguesas e paisagens sonoras nacionais?”, interroga-se.

 

O apresentador da primeira edição dos Prémios Megafone foi Jel, mais conhecido pelo seu papel nos Homens da Luta. A presença no CCB deve-se sobretudo à sua “insistência”.

 

“Quando ele propôs, o primeiro impacto foi de negação, porque só o conhecia dos ‘Homens da Luta’, mas a insistência dele mexeu com a Associação Megafone. Não me arrependo. Foi um elo muito importante entre o palco e o público. Falaram-se de coisas que não estavam planeadas e achei a sua improvisação fantástica”, confessa ao Expressões Lusitanas a presidente da Associação, Sandra Batista.

 

Por seu lado, Jel confidencia o “nervosismo” durante a gala, tendo em conta “não estar habituado a este nível”. Garante ter “gostado” da experiência e “espera” por uma nova edição dos Prémios.

 

“A melhor maneira de se homenagear é entregar prémios e promover a competição, a produção e até a formação de novas bandas”, diz.



publicado por Expressões Lusitanas às 09:33 | link do post | comentar