Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

 

“O Anjo Branco” inspira-se na passagem do pai de José Rodrigues dos Santos pela Guerra Colonial e descreve os últimos anos da presença portuguesa em África. Baseado em factos reais, o novo romance do jornalista retorna às suas origens, num registo mais íntimo

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Começou a escrever o novo livro antes de editar os dois últimos – “Conversas de Escritores” e “Fúria Divina”. A ideia de o escrever surgiu porque “tinha uma boa história” na família para contar.

 

“Lendo este romance, não é preciso inventar nada. Está tudo lá. O que é preciso ficcionar são as histórias de amor que, normalmente, as pessoas não nos contam. Tirando esta parte, tudo o resto consiste em reproduzir o que aconteceu e captar os traços da realidade”, explica o jornalista ao Expressões Lusitanas, à margem da apresentação da obra, que decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa.

 

Teve de ter um certo distanciamento emocional para conseguir narrar a história e mostrar as virtudes e defeitos dos seus personagens, a fim de as “credibilizar”.

 

“O Anjo Branco” é uma “homenagem” ao pai de José Rodrigues dos Santos, à sua “forma de ver a vida” e a quem nos momentos difíceis “toma a decisão correcta”, apesar de ser “criticado”.

 

O protagonista do romance chama-se José Branco, homem que foi viver para Moçambique corria o ano de 1960. Confrontado com vários problemas sanitários, criou o então revolucionário Serviço Médico Aéreo.

 

“Em todo o continente africano só havia um outro serviço semelhante no Quénia, organizado por alemães. Sozinho, o meu pai prestava assistência médica a uma população que ocupava um território do tamanho de Portugal Continental”, sublinha José Rodrigues dos Santos.

 

Deslocando-se num pequeno avião, o médico chegava do céu vestido de branco e, por tal, transformou-se, entre os habitantes, no “Anjo Branco

 

Apesar da familiaridade do autor para com o assunto, José Rodrigues dos Santos confessa que precisou de investigar “muito”. A proximidade permitia-lhe apenas “identificar as pessoas com quem tinha de falar”. Já as “histórias em si” e os “pormenores” tiveram de ser investigados e para os lograr teve de ir para o terreno. Visitou por duas vezes os locais em Moçambique.

 

A apresentação de “Anjo Branco” teve lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa. Cerca de 500 pessoas marcaram presença.



publicado por Expressões Lusitanas às 14:29 | link do post | comentar