Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

 

Paula Oliveira decidiu explorar um repertório de originais da autoria de vários músicos de ‘jazz’, como Mário Laginha ou Lars Arens, no seu novo disco “Raça”, que conta com a presença do quarteto LisBones. O tema de estreia é um poema de Alexandre O’Neill intitulado “Cão”.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Os dois últimos discos de Paula Oliveira continham versões de música portuguesa já celebrizadas por outros artistas e compositores. Contudo, em “Fado Roubado” (2007) estavam já incluídos dois temas originais, facto que “abriu uma porta” para afirmar o seu trabalho como compositora e intérprete com repertório próprio.

 

“Este disco apresenta muitas coisas novas. Entre elas destaco a composição e arranjos por mim feitos e o apoio do quarteto de trombones e eufónios [instrumento de sopro mais parecido com a voz humana] chamado LisBones”, explica Paula Oliveira ao Expressões Lusitanas.

 

A artista considera que, em “Raça, a voz “casa perfeitamente” com os arranjos musicais e sonoridade dos instrumentos de sopro.

 

A presença do quarteto Lisbones no disco surgiu de um convite endereçado pelo próprio a Paula Oliveira há um ano atrás. A artista destaca a “qualidade” e a “excelência” do grupo e, por tal, decidiu gravar o novo disco contando com o seu contributo.

 

Em “Raça”, a ênfase debruça-se na exploração de um repertório de originais da autoria de vários músicos de ‘jazz, como o português Mário Laginha, o suíço Léo Tardin e o alemão Lars Arens.

 

“O Lars é um músico exímio e escreve com um enorme rigor e qualidade. O facto de ser alemão diz tudo e é muito bom ter um elemento com este nível de exigência”, afirma.

 

Antes da idealização do disco, Paula Oliveira tinha mantido contactos “pontuais” com Mário Laginha, nomeadamente em encontros musicais e concertos. No seu novo álbum, o compositor é responsável pela orquestração do tema de estreia “Cão”, um poema de Alexandre O’Neill.

 

“Leio histórias aos meus filhos antes de irem para a cama e comprei um livro de poesia de vários autores de expressão portuguesa seleccionada pela Sophia de Mello Breyner. De repente esbarro com o poema, o qual retrata a vida de cão que temos, quer seja do artista ou de outra pessoa”, detalha Paula Oliveira ao Expressões Lusitanas.

 

O nome do disco – “Raça” – surgiu antes de se iniciarem as gravações do mesmo. Paula Oliveira queria um álbum com “raça” e sentiu que a “assinatura dos trombones” iria “marcar uma impressão digital forte” e tornar o disco “muito singular.”

 

“A voz, a forma de cantar, este lado português e da nossa raça está muito patente neste ‘jazz’. Tenho o objectivo de criar um repertório ‘jazzístico’ interpretado na nossa língua e feito em Portugal”, refere.

 

O próximo concerto de apresentação do novo trabalho vai ter lugar no Onda Jazz, em Lisboa, a 18 de Dezembro, após as recentes passagens por festivais temáticos nos Açores e na Madeira.

 

Após a actuação na capital portuguesa, os novos concertos seguem-se apenas no final do primeiro trimestre de 2011, tendo em conta o tempo ocupado pelas gravações do programa Operação Triunfo (RTP), no qual Paula Oliveira é professora da escola de talentos musicais.



publicado por Expressões Lusitanas às 18:54 | link do post | comentar