Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

 

Terminou ontem a mini-série de quatro episódios de investigação criminal “Condenados” transmitida pela SIC. Ao Expressões Lusitanas, a autora do projecto Sofia Pinto Coelho diz que “valeu a pena” e houve “efeitos positivos”. Contudo, estranha o “silêncio” por parte das magistraturas que, até agora, ainda não teceram qualquer comentário sobre as quatro reportagens emitidas.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Sofia Pinto Coelho mostra-se “satisfeita a vários níveis”. “Excelente receptividade do público, muito bom acolhimento pela crítica especializada televisiva e por parte dos meus pares e colegas, algo que foi uma grande surpresa”, refere ao Expressões Lusitanas.

 

Antes da exibição na SIC dos quatro casos de possíveis erros judiciais, a jornalista confessava estar “muito assustada” e agora pode “suspirar de alívio”.

 

Não houve contestação ou comentários por parte das partes visadas, nomeadamente dos magistrados envolvidos nas decisões judiciais. “Parece quase uma conspiração de silêncio”, afirma a jornalista.

 

Acha este silêncio normal ou algo suspeito? “Não sei ainda fazer essa avaliação. Por um lado pode ser um sinal de incómodo, mas, por outro lado, pode ser um indício de que o aparelho judicial está muito martirizado por uma série de fragilidades postas a nu ao longo dos últimos anos e, portanto, é uma atitude de protecção natural”, detalha a autora de “Condenados”.

 

Queixas contra a SIC e contra Sofia Pinto Coelho em particular ainda não tiveram lugar, mas a jornalista considera que, provavelmente, tais acusações possam vir a ocorrer.

 

“Foi possível colocar estas quatro reportagens no ar sem haver aquela sensação de provocação, de serem vistas como uma sentença contra a sentença e de que se pretende dar cabo do aparelho judicial”, ressalva a jornalista.

 

Sofia Pinto Coelho alerta ainda para o distanciamento temporal dos casos expostos em “Condenados”. “Aquilo que um jornalista observa e escrutina muitos anos depois nunca é o mesmo que os factos expostos em tribunal e perante o juiz. Isto desequilibra muito as coisas”, acrescenta.

 

Por tal não se pode concluir que os juízes decidiram mal. “Temos de fazer isso com cautelas, pois decidiram com base nos factos que foram apresentados na altura e, por vezes, não são os mesmos”, refere. “As pessoas falam mais facilmente a um jornalista do que em tribunal”, justifica.

 

Em jeito de balanço, Sofia Pinto Coelho diz que tudo “valeu a pena” e adianta alguns efeitos positivos de “Condenados”.

 

“No caso de Éder Fortes [segundo episódio], dois advogados ofereceram-se gratuitamente para ajudar numa possível reabertura do caso. Já o cabo da GNR Sérgio Casca [primeiro episódio] recebeu duas ofertas de trabalho”, enumera.

 

A possibilidade de uma segunda série de “Condenados” ainda não está definida. Sofia recebeu alguns casos “interessantes”, porém a falta de conhecimento prévio dos mesmos e o tempo exigido para uma produção desta natureza são os principais factores com peso numa futura decisão.



publicado por Expressões Lusitanas às 09:29 | link do post | comentar