Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

 

A ideia surgiu em 2004 pelo repórter de imagem da RTP José Carlos Ramalho. Ficou adormecida, mas no decorrer de este ano a mesma tomou a forma de “Câmara de Reflexão”. 36 repórteres de imagem da RTP, SIC e TVI narram na primeira pessoa os momentos vividos com a câmara ao ombro.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

José Carlos Ramalho tinha participado num livro com histórias de ficção escritas por jornalistas – o “Curtas Letragens”. Era o único repórter de imagem a ter voz nesta literatura e tal facto fez-lhe “um pouco de impressão”.

 

Na altura, em 2004, surgiu a ideia de lançar um livro no qual os repórteres de imagem dos três canais nacionais tivessem a oportunidade de contar as suas vivências. Porém, o tempo foi passando e só este ano, “num dia em que estava sozinho em casa”, José Carlos Ramalho decidiu lançar mãos à obra e escrever a primeira história.

 

“A partir daqui decidi convidar mais três colegas e amigos para me ajudarem a coordenar esta cruzada”, refere ao Expressões Lusitanas.

 

As três pessoas são Paula Fernandes (TVI), Pedro Pereira Moreira (RTP) e Rui do Ó (SIC) e “não foram chamados ao acaso”. “Quando se escolhe uma equipa, baseia-se na competência e na amizade. Procurei especificamente um pessoa na RTP, SIC e TVI”, detalha.

 

Apesar de ser profissional na RTP, José Carlos Ramalho achou por bem não coordenar o grupo de repórteres da televisão pública. “Pretendia que o livro fosse um todo e não seria apropriado que a coordenação da RTP fosse assumida pelo coordenador geral do livro”, afirma. Desta forma delegou tarefas aos três colegas nomeados e cada uma deles “coordenava a sua estação de televisão”.

 

“É um livro muito democrático e serve para unir e não separar. As regras básicas do livro são simples: ter um número certo de repórteres de imagem por cada estação de televisão e a organização das histórias é feita por ordem alfabética, de maneira a não existir sobreposições”, assevera ao Expressões Lusitanas.

 

O título “Câmara de Reflexão” foi definido logo no início e apresenta vários significados, quer sejam “filosóficos”, “metafísicos” ou pelo facto de a câmara ser o instrumento de trabalho. Contudo, há um que impera.

 

“Uma câmara de reflexão é um local para onde as pessoas vão pensar. Quis jogar com as palavras. A palavra câmara escreve-se de forma igual nos dois contextos (câmara de reflexão e câmara de filmar). Transformar o meu objecto de trabalho num local de pensamento era o objectivo”, argumenta.

 

Apenas 36 repórteres de imagem participaram na elaboração do livro. Estima-se existir cerca de 200 profissionais em Portugal. “Houve alguns que ficaram melindrados por não terem sido escolhidos, mas trata-se de uma questão de tempo e de espaço. Era impossível escrever um livro com 200 pessoas”, garante José Carlos Ramalho.

 

Os direitos de autor da obra revertem a favor do Centro de Acolhimento Temporário de Menores em Risco “Janela Aberta” da Cooperativa Pelo Sonho é Que Vamos. Todavia, os direitos das histórias para fins cinematográficos permanecem no poder dos respectivos autores.

 

“Se algum realizador pretender fazer um filme sobre alguma das histórias, pode fazê-lo, mas primeiro tem de falar com o respectivo autor”, adianta José Carlos Ramalho.

 

O livro “Câmara de Reflexão” foi lançado oficialmente no passado dia 13 de Novembro.



publicado por Expressões Lusitanas às 18:35 | link do post | comentar