Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

O director de programas da RTP 1, José Fragoso


A poucos dias do término de 2010, a direcção de programas da RTP 1 faz um balanço “muito positivo” do ano, no qual foi possível “vincar” as “principais linhas de produção de conteúdos” e “deixar claro” algumas ideias que “precisam tempo” para se materializar, sobretudo no campo da ficção nacional.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Num encontro informal realizado hoje com os jornalistas na sede da televisão pública, em Lisboa, a direcção de programação da RTP reflectiu sobre o resultado das estratégias adoptadas este ano e perspectivou, em termos gerais, as linhas condutoras para o ano que se aproxima.

 

O enfoque foi sobretudo direccionado para as áreas da ficção e do entretenimento. No primeiro caso, a RTP diz colocar-se de “forma diferente” em relação aos outros dois canais de televisão generalistas e privados – SIC e TVI.

 

“Desde 2008 assumimos o nosso caminho na área da ficção e estamos fora da produção de telenovelas. Os dois canais comerciais não seguem por esta linha e, em alguns casos, tendem a intensificá-la”, afirma o responsável pela programação da RTP 1, José Fragoso.

 

A série “Cidade Despida”, protagonizada por Catarina Furtado, “é o tipo de série que a RTP quer produzir”. Tal permitiu à estação pública, aos actores e restante equipa estarem nomeados para prémios de televisão, não obstante o facto de não terem sido laureados.

 

O ano de 2010 ficou ainda marcado pela produção de quatro mini-séries históricas no âmbito da celebração do centenário da República em Portugal – “República”, “O Segredo de Miguel Zuzarte”, “A Noite do Fim do Mundo” e “Noite Sangrenta”.

 

“Durante todo o Verão, cem actores portugueses estiveram a dar o seu contributo na realização destas séries, que são património audiovisual do país”, explica José Fragoso.

 

“Mistérios de Lisboa”, filme realizado por Raul Ruiz, produzido por Paulo Branco e baseado num romance de Camilo Castelo Branco, foi fruto de uma parceria entre a RTP e o canal franco-alemão Arte e vai ser transmitido em Portugal no primeiro trimestre de 2011.

 

“O filme ainda está em exibição em França e foi visto por mais de 100 mil pessoas. Para além disso, esteve representado em alguns dos mais importantes festivais de cinema do mundo e é candidato aos principais prémios franceses na área da ficção”, detalha José Fragoso.

 

Apesar de os resultados a nível de audiências da ficção da RTP “não serem os mesmos do que as telenovelas”, o responsável adianta que a média de espectadores das quatro série históricas rondou os cerca de 750 mil espectadores, um número que “justifica o investimento”.

 

Os direitos de transmissão do campeonato do mundo de futebol de 2010 foram garantidos pela RTP. Todavia, e “desconsiderando” tal facto, a “dependência” da RTP do conteúdo futebol “diminui” e “não teve reflexos” no comportamento global dos resultados da estação.

 

A “maior proximidade” do canal com os espectadores, através de programas em directo pelo país (“Há Volta”, “Portugal no Coração”, entre outros) e o entretenimento familiar ligado ao conhecimento e ao talento (“Quem Quer Ser Milionário” ou “Operação Triunfo”) são outros dois aspectos salientados por José Fragoso.

 

Em 2010, a RTP centrou-se ainda em outros programas “menos mediáticos”, como a produção de documentários e magazines, conteúdos que, de acordo com o responsável de programação, “incentivam” o mercado de produção e abordam, por seu lado, temas de “carácter relevante”. “Cuidado Com a Língua” e “Salvador” são alguns dos exemplos enumerados.



publicado por Expressões Lusitanas às 18:34 | link do post | comentar