Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

 

“É um disco de fado”. A frase define a forma como Camané vê o seu sexto álbum de estúdio intitulado “Do Amor e dos Dias”. Os arranjos, produção e direcção musical estiveram a cargo de José Mário Branco. No processo de escrita de alguns dos versos contribuíram Sérgio Godinho, Manuela de Freitas e Fausto.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Para a criação deste disco, Camané inspirou-se nas suas “primeiras memórias” do fado constituídas pelas letras de Alfredo Marceneiro, “que falavam de raiva, do amor e do ódio”, mas “de uma forma irónica”. “Falei sobre esses fados à Manuela de Freitas e ela escreveu o primeiro tema [‘A Guerra das Rosas’]”, explica Camané ao Expressões Lusitanas.

 

Esta foi a primeira fase de construção “Do Amor e dos Dias”, álbum que contém “pequenas crónicas” de amor, ódio e de raiva. A criação total do novo trabalho levou cerca de dois meses.

 

Trata-se de um disco “de fado” e “menos introspectivo” em relação ao trabalho anterior “Sempre de Mim”, editado pelo fadista em 2008. “Aqui estou sempre a cantar para alguém e dirijo-me a uma figura”, refere.

 

Ao todo, o novo disco de Camané inclui 18 fados, dos quais três são apontamentos. Cada um dos temas “faz sentido” no todo e, desta forma, a “história fica bem contada”. “Não ficou nenhum fado de fora”, assevera.

 

A produção, arranjos e direcção musical estiveram a cargo de José Mário Branco, uma parceria já antiga e “para continuar”. “É a pessoa que melhor entende o meu trabalho e a minha forma de estar no fado. Este disco contém arranjos incríveis e muita informação musical, algo difícil de transportar para o concerto ao vivo”, detalha Camané.

 

Alguns dos versos “Do Amor e dos Dias” foram escritos por Sérgio Godinho e Fausto, dois compositores que Camané considera serem “os melhores” a escrever sobre o amor.

 

Quem descobre o novo trabalho discográfico do fadista pela primeira vez, Camané dá alguns conselhos. “É um disco para se ouvir, assimilar, desfrutar e descobrir”, afirma.



publicado por Expressões Lusitanas às 13:04 | link do post | comentar