Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Créditos fotográficos: Rui Aguiar


Está perante a abordagem mais electrónica de Balla, um dos alter-egos do músico português Armando Teixeira. “Equilíbrio” foi pensado para ser tocado ao vivo e conta com o dedilhar da guitarra portuguesa por Luís Varatojo e as vozes de Samuel Úria, Liliana Correia e António Manuel Ribeiro (UHF). Marca também o regresso à escrita de versos de Miguel Esteves Cardoso, a estreia de Pedro Mexia e a continuação de José Luís Peixoto.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

“Equilíbrio” é o disco pós-“A Grande Mentira”, o álbum anterior de Balla. “Por si só é já uma grande novidade, porque foi um trabalho muito tocado ao vivo e redescobriu-se este gosto”. Por tal motivo, o quarto registo de originais de Balla foi “pensado” para ser interpretado em cima de um palco.

 

Porquê “Equilíbrio”? “O título não é para ser levado à letra”, refere Armando Teixeira ao Expressões Lusitanas, e não está relacionado com “coisas zen”. Tem, sim, a ver com as fotografias da capa do disco, que estão em desequilíbrio. “É uma contradição, serve para contrastar e pode ser a minha vontade de ir por outros caminhos”, destaca.

 

O novo álbum apresenta a abordagem mais electrónica de Balla, um género musical com o qual Armando Teixeira se identifica. Por outro lado, pretende “contrariar a maré” vivida na música cantada em português, que “está cada vez mais acústica”. “Sabe-me bem ir por outros caminhos e mostrar que existem outras possibilidades”, afirma ao Expressões Lusitanas.

 

O álbum conta com a presença de quatro músicos convidados, que foram surgindo na mente de Armando Teixeira à medida que compunha cada tema. “O Luís Varatojo toca a guitarra portuguesa de uma maneira particular, sempre tive vontade de saber como é que a minha voz casaria com a da Liliana e achei que a presença do Samuel Úria podia enriquecer o tema para o qual foi convidado”, detalha Armando Teixeira.

 

De referir ainda que o tema de estreia “A Montra” contou com a presença do vocalista dos UHF, António Manuel Ribeiro.

 

Os convidados não se resumem apenas a músicos. Miguel Esteves Cardoso regressa às lides da escrita de versos para canções, Pedro Mexia estreia-se neste mundo e José Luís Peixoto prossegue nesta arte.

 

“As coisas boas surgem por acaso e houve a oportunidade de eles participarem. São pessoas que admiro bastante, já conheciam o meu trabalho e temos muitas coisas em comum”, refere o músico português.

 

Não revela sobre o que versam as letras do novo disco. “O fio condutor não é para ser desvendado, mas para as pessoas o descobrirem. Espero que cada um tenha a sua própria interpretação”, detalha.

 

Em suma, o quarto álbum de Balla é um disco “para se ir digerindo e descobrindo”. Contudo, Armando Teixeira confessa que, numa época em que os ‘singles’ dominam a indústria fonográfica, “os álbuns fazem menos sentido”. Ainda assim, são importantes “para descobrir cada um dos temas”. “Hoje posso gostar de um e amanhã de outro”, refere.



publicado por Expressões Lusitanas às 14:27 | link do post | comentar