Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

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A portuguesa Mísia vai realizar esta sexta-feira, 17, um concerto de encerramento do ciclo do seu último disco “Ruas”. No próximo ano, que está prestes a chegar, a artista completa 20 anos nas lides discográficas. Ao Expressões Lusitanas faz um balanço deste seu percurso “solitário” no mundo da música e desvenda alguns aspectos do novo disco “Senhora da Noite”.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Não é habitual uma discoteca acolher um concerto de fados, marchas e mornas, os três estilos musicais presentes em “Ruas”, o último disco de Mísia. A artista portuguesa decidiu arriscar, apesar de estar “receosa” de que o seu público mais tradicional possa não comparecer.

 

“Certo tipo do meu público mais tradicional e mais velho, talvez tenha medo de ir a uma discoteca. Contudo, este concerto é digirido para um público mais jovem”, refere ao Expressões Lusitanas.

 

“Ruas” é um álbum duplo. O primeiro CD intitula-se “Lisboarium” e retrata o “imaginarium” da capital portuguesa. “É a minha Lisboa sonhada e sentida desde longe”, explica Mísia. Este foi o único disco concebido fora de Portugal.

 

Por seu lado, o segundo CD de “Ruas” chama-se “&Tourists” e conta com as vozes e o repertório de intérpretes que cantam os mesmos sentimentos patentes no fado – “a relação trágica com o destino” – e existentes em outras culturas. Camarón de la Isla é um de vários exemplos de pessoas que “tiveram vidas com fins trágicos ou que viveram no limite”.

 

O epílogo do percurso de “Ruas” realiza-se ao vivo esta sexta-feira, 17, na discoteca Lux, em Lisboa.

 

Mísia viveu os últimos cinco anos em Paris. “Precisava de distância e de repensar em muitas coisas”, afirma. Contudo, teve “saudades” e voltou no momento em que lhe diziam ser “uma altura muito má para regressar”. As saudades falaram mais alto e tinha já “as coisas arrumadas na cabeça e no coração”.

 

O próximo e novo álbum de Mísia já tem nome – “Senhora da Noite” – e “está pensado há anos”. Trata-se de um registo de fado tradicional e conta apenas com poesia feminina. Assevera não se tratar de uma homenagem à mulher, mas de “redimensionar” o seu papel, “não só como intérprete, mas também de agente criador" no fado.

 

Entre as contribuições estão versos de Amélia Muge, Aldina Duarte e a estreia da brasileira Adriana Calcanhotto. “É a terceira vez que lhe peço para me escrever um fado e desta vez atreveu-se”, sublinha.

 

“Senhora da Noite” está quase pronto e ainda não tem lançamento agendado. Em Fevereiro, Mísia vai apresentá-lo em Paris e em Berlim.

 

No próximo ano, 2011, a artista portuguesa completa 20 anos nas lides discográficas. “Não são coisas em que me demore a pensar. A vida é hoje e neste momento”, destaca.

 

Contudo, consegue fazer um balanço deste período. “Foi e é um percurso difícil e solitário, mas muito bom. A dificuldade só me fortaleceu. Não pertenço a grupos, nem fui apadrinhada por ninguém. Há uma análise clara de que aquilo que faço está mais perto da cultura do que do ‘entertainment’ e isso agrada-me”, detalha.



publicado por Expressões Lusitanas às 14:24 | link do post | comentar