Domingo, 26 de Dezembro de 2010

 

 

Tudo começou com a recolha dos testemunhos de surfistas portugueses em Sumatra, na Indonésia, para serem compilados num pequeno guia a ser distribuído gratuitamente no barco de Gonçalo Ruivo, um dos autores da obra. A meio do processo, a ideia começou a “ganhar peso” e acolheu vários apoios. As vendas do livro vão ser revertidas a favor de um programa de intercâmbio desportivo e cultural entre Portugal e a Indonésia.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Gonçalo e Miguel Ruivo são irmãos e os autores de “Sumatra – Regresso ao Paraíso”. Gonçalo passa temporadas no Oceano Índico, que banha a ilha, a operar um barco turístico, no qual recebe surfistas portugueses à procura das melhores ondas.

 

“Ele acumulou vários testemunhos e fotografias dos passageiros e quis fazer um pequeno guia para oferecer a quem viajasse no barco. Pelo meio, o próprio projecto começou a crescer sozinho e teve bastante aceitação”, explica Miguel Ruivo ao Expressões Lusitanas.

 

Entretanto, a embaixada da Indonésia pretendia dar forma a um projecto capaz de “impulsionar” e “facilitar” o fluxo de turismo português e, ao mesmo tempo, “promover” a ilha de Sumatra.

 

A ideia agradou aos dois irmãos e propuseram algo “arrojado”. “Com a venda do livro pretendíamos desenvolver um programa de trocas culturais e desportivas, com o surf em pano de fundo”, refere Miguel Ruivo.

 

O inicial guia transformou-se num livro com 216 páginas e para o qual angariaram o “máximo de informação possível” de testemunhos de portugueses que estiveram em Sumatra.

 

“Passámos rapidamente de querer homenagear os companheiros de viagem do barco do Gonçalo para glorificar todos os portugueses que tenham estado na Sumatra a fazer surf, independentemente de terem tido ou não contacto com o Gonçalo”, detalha.

 

As ligações históricas e culturais entre Portugal e a Indonésia remontam há mais de 500 anos e as influências portuguesas são várias. Um dos exemplos mais citados é o facto de o dialecto indonésio ter incorporado centenas de palavras portuguesas.

 

“Interessava criar algo que aproximasse ainda mais as culturas dos dois países”, afirma Miguel Ruivo. Para tal, o programa de intercâmbio pretende levar a Sumatra alguns surfistas portugueses “com valências”, a fim de ali realizarem ‘workshops’ sobre surf. Por outro lado, “permite aos locais desenvolverem as suas capacidades de receber os turistas”.

 

“Lá, os surfistas procuram boas ondas e, para tal, vão para locais muito remotos, portanto a estadia e a alimentação são feitas na casa de alguém que se preste a receber”, conta.

 

Um dos ‘workshops’ que Miguel pretende desenvolver com os locais é sobre culinária europeia. “A comida é muito picante e, passados alguns dias, o nosso estômago já pede outra coisa”, assevera.

 

O programa de intercâmbio possibilitaria também a vinda a Portugal de vários jovens indonésios “talentosos” no campo do surf e, simultaneamente, promover um “choque cultural”.

 

Apesar de lá terem “condições excelentes” para “dar o salto” e tornaram-se atletas profissionais de surf, há uma série de factores que impede tal acontecer.

 

“Uma vez levei daqui uma prancha de surf para oferecer a um miúdo de lá. Quando cheguei, ele ficou muito contente com a oferta, mas, imagine, não tinha calções de banho para vestir. Por acaso, viajava connosco no barco um rapaz, que lhe ofereceu os seus calções”, recorda.

 

“Sumatra – O Regresso ao Paraíso” foi lançado oficialmente neste mês de Dezembro e conta ainda com os textos do embaixador António Pinto da França, do historiador José Manuel Garcia e do viajante e escritor Gonçalo Cadilhe.



publicado por Expressões Lusitanas às 15:05 | link do post | comentar