Sábado, 13.03.10

“Nos dias de hoje estou completamente nas tintas para a Media Capital e para as pessoas que me despediram”

 

 

Pedro Múrias relata em “Crónicas da Sala de Espera” o quotidiano da luta que trava contra o cancro colo-rectal que lhe foi diagnosticado. As crónicas começaram nos microfones do programa “Janela Aberta” do Rádio Clube Português (RCP) e estão agora escritas em livro. Em entrevista exclusiva ao Expressões Lusitanas o jornalista descreve os momentos mais marcantes de um ano de luta contra a doença. Não esquece a “revolta” que sentiu quando a Media Capital Rádios (dona do RCP) o despediu enquanto estava de baixa a lutar contra a doença. “Achei que a Media Capital estava mais doente do que eu”, acusa.

 

Expressões Lusitanas: As “Crónicas da Sala de Espera” começaram na rádio, mais concretamente no Rádio Clube Português. Como surgiu esta ideia?

Pedro Múrias: Surgiu de um grande susto que apanhei na vida – um cancro colo-rectal. Na altura trabalhava no Rádio Clube e éramos um clube de amigos e com um espírito de equipa fantástico. Entretanto, achámos que ao relatar as crónicas era uma forma de ajudar a superar isto, porque estávamos muito em baixo.

 

Expressões Lusitanas: Algumas destas crónicas eram relatadas a partir da sala de tratamento de quimioterapia dos hospitais por onde passou. Era-lhe difícil transmitir aquilo que estava sentir ou servia para dar uma força e incentivo a outras pessoas que estavam na mesma situação?

Pedro Múrias: Sinceramente, eram um grande incentivo para mim, de um ponto de vista mais egoísta ou pessoal. Contudo, penso que também ajudei muita gente a superar o mesmo que eu.

 

Expressões Lusitanas: Recebeu alguma mensagem por parte dos ouvintes?

Pedro Múrias: Muitas! Todos os dias. Ainda hoje recebo.
 

Expressões Lusitanas: Houve alguma que lhe tocou em particular?

Pedro Múrias: Uma senhora agradeceu-me porque, como estava a chorar, teve de encostar o carro na A8. Recebi agora outra mensagem de uma senhora que diz que me vai escrever todos os anos no mesmo dia para ter a certeza de que estou vivo. São duas grandes mensagens.

 

Expressões Lusitanas: De um momento para o outro é despedido da Media Capital Rádios, enquanto ainda estava de baixa a lutar contra o cancro. O que é que sentiu quando soube da notícia pela primeira vez?

Pedro Múrias: Uma enorme revolta! Achei que a Media Capital estava mais doente do que eu. Mas nos dias de hoje sinceramente não me importa. Estou-me completamente nas tintas para a Media Capital e para as pessoas que me despediram…

 

Expressões Lusitanas: O que sente hoje não é o mesmo quando soube da notícia pela primeira vez?

Pedro Múrias: Não, porque entretanto escrevi este livro, que está agora a ser publicado. Isso é uma coisa fantástica na vida de uma pessoa e que não tem preço. Ser despedido ao pé de uma coisa destas não conta. É uma coisinha de nada no meu passado. Hoje é um dia de partida e não de chegada.

 

Expressões Lusitanas: As “Crónicas da Sala de Espera” deixaram de ser relatadas no RCP e passaram a ser escritas num blogue. Agora temos um livro. Como surgiu a ideia de as compilar?

Pedro Múrias: Ainda antes de ir para o hospital, a editora Difel convidou-me para escrever estas crónicas e, posteriormente, passá-las a livro.

 

Expressões Lusitanas: Quem lê o livro pela primeira vez, o que pode esperar?

Pedro Múrias: Pode encontrar aqui um diário e reconhecer-se nas grandes angústias pelas quais passei. Pensar que não estão sozinhos. Estão aqui [na apresentação do livro] pessoas que passaram pelo mesmo e isto ajuda. É uma força que se cria.

 

Expressões Lusitanas: Para o futuro, tem planos?

Pedro Múrias: Os próximos dois passos é ir ao hospital renovar a baixa e inscrever-me no centro de emprego. A curto prazo…

 
Sobre o cancro colo-rectal:

O cancro colo-rectal é o segundo cancro mais comum na Europa e o segundo de maior incidência e mortalidade em Portugal, país onde ocorrem mais de três mil mortes todos os anos.

Desde a década de 80 que a mortalidade continua a aumentar, verificando-se que, por dia, morrem nove a dez pessoas vítimas deste carcinoma.

Entre os sinais de alerta que exigem a procura imediata de ajuda médica incluem-se: alteração constante dos hábitos intestinais sem razão aparente e fezes muito escuras, perda de sangue pelo recto/ânus sem dor ou prurido, sensação de que o intestino não esvazia totalmente e dor ou desconforto abdominal sem razão aparente.

Fontes: Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, Europacolon e IPATIMUP.

 

 



publicado por Expressões Lusitanas às 17:01 | link do post | comentar

Quarta-feira, 30.12.09

                            

 

A mulher do senador John Kerry e filha de pais de origem portuguesa ,Teresa Heinz Kerry, admitiu que está a receber tratamento para o cancro da mama, depois de ter descoberto a doença através de uma mamografia que fez. *com DN
 
A mulher do ex-candidato presidencial democrata defendeu o uso da mamografia no rastreio do cancro da mama, apesar das recomendações de um painel federal americano que defende a redução da frequência com que estes exames são feitos.
 
Teresa Kerry, de 71 anos, declarou à agência Associated Press que o custo de uma mamografia é inferior ao tratamento de quimioterapia que as mulheres com idades entre os 40 e os 60 anos têm de receber, se o cancro for detectado tardiamente.
 
"A quimioterapia é séria, muito dolorosa e custa muito dinheiro. É muito destrutiva para as pessoas. Então porquê submeter as pessoas a isso quando é mais simples fazer um exame e já está? É por isso que estou tão chateada com a decisão desse painel", disse a líder do império do ketchup Heinz, o qual herdou do primeiro marido, Henry John Heinz III.
 
Maria Teresa Thierstein Simões-Ferreira Heinz é filha de pais de origem portuguesa. Nasceu em Lourenço Marques, a capital moçambicana que depois foi rebaptizada como Maputo. Entre as línguas que fala está o português. Vive em Boston e tem três filhos.


publicado por Expressões Lusitanas às 15:14 | link do post | comentar