Segunda-feira, 01.03.10

 

Os primeiros vestígios do comportamento social do Elefante Antigo (Elephas antiquus) conhecidos na Europa foram recentemente descobertos no litoral alentejano, informa ao Expressões Lusitanas o coordenador da equipa científica do Geopark Naturtejo, Carlos Neto Carvalho.

 
Daniel Pinto Lopes
 

O trabalho de investigação paleontológica da equipa científica do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional – UNESCO European and Global Geopark nas dunas fósseis do litoral da Ericeira à Costa Vicentina “resultou na descoberta de 14 horizontes com trilhos de pegadas fossilizadas, datadas entre 100.000 e menos de 40.000 anos, incluindo as pegadas dos últimos elefantes que viveram na Europa”, pode ler-se no comunicado enviado pelo Geopark Naturtejo.

 

As descobertas foram, de acordo com o mesmo comunicado, publicadas na revista internacional polaca “Geological Quarterly”, enquanto “primeiro registo de pegadas em todo o registo fóssil português dos últimos 65 milhões de anos”.

 

A descoberta apresenta “relevância” para a compreensão das paisagens dunares do litoral alentejano nos últimos 100 mil anos. Ao Expressões Lusitanas, o coordenador da equipa científica Carlos Neto Carvalho refere que a erosão sobre as arribas costeiras permitiu a descoberta deste trilho, mas que, por outro lado, tais blocos descobertos “estão em zonas que vão ser completamente destruídas”.

 

“Do ponto de vista científico deu jeito, mas do ponto de vista da conservação torna-se mais problemático. Aquilo que pretendemos é desenvolver um trabalho que nos permita criar um conjunto de réplicas destas lajes para garantir a salvaguarda”, detalha.

 

Tal operação de execução de réplicas apresenta “um custo não muito elevado”, quando comparado com o preço de resgate dos blocos com pegadas, por força do volume que possuem.

 

Carlos Neto Carvalho adianta ainda que os blocos que se desprenderam das arribas por força da erosão do mar “vão um dia desaparecer por completo”, facto que aumenta a “necessidade” de se realizar as réplicas deste património.

 



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Terça-feira, 01.12.09

 

Não poderia ser mais pessimista o discurso que Dom Duarte proferiu ontem, no Convento do Beato, em Lisboa, a propósito do dia que assinala a restauração da independência. "O país está doente" e a culpa é da República, afirmou. *com JN

 

"Adivinham-se tempos difíceis: as instituições do Estado estão fragilizadas; o desemprego aumenta e a pobreza alastra; o sistema educativo tem sido contestado por alunos e professores ; a insegurança, a criminalidade organizada - violenta e económica - e a corrupção multiplicam-se; o poder judicial está ameaçado por falta de meios materiais e por legislação absolutamente desajustada das realidades", começou por elencar, ontem à noite, o chefe da Casa Real, D. Duarte de Bragança, num jantar anual que visa assinalar o feriado de 1º de Dezembro. "Onde não há Justiça, não há Democracia", sublinhou.
 
Num discurso pessimista e muitíssimo crítico - quase só as instituições de solidariedade, como as da Cáritas e da AMI, foram poupadas -, D. Duarte de Bragança teceu também considerações sobre a crise internacional, que recusa interpretar como atenuante da situação que o país enfrenta. "Portugal atravessa uma grave crise económica com reflexos políticos e sociais preocupantes. A crise financeira e económica internacional não constitui justificação suficiente para o estado em que se encontra o País: torna-se evidente que, quando esta se desvanecer, a crise estrutural interna permanecerá", observou.
 
Dom Duarte lançou depois alguns recados ao Governo, alertando-o para o perigo de estar a hipotecar o futuro com medidas erradas e, sobretudo, com despesismo. "Torna-se imperioso que o Estado colabore melhor com as organizações de voluntários que generosamente trabalham para resolver os problemas, em vez de desperdiçar recursos e prejudicar o que temos e fazemos de bem. Tudo o que o Estado gasta é pago por nós ou será pago pelos nossos filhos".
 
O chefe da Casa Real não chegou a responsabilizar directamente este Governo pela situação do país, mas não se inibiu de culpar a forma de Governo: a República.
 
Para o herdeiro do trono português "chegou a hora de acordar as consciências e reunir vontades para levantar Portugal, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse", algo que, de acordo com o seu discurso, estará na mudança de regime.

 

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Uma pequena cerimónia na Praça dos Restauradores, em Lisboa, assinalou hoje a restauração da independência de Portugal em relação a Espanha, conseguida a 1 de Dezembro de 1640.  *com RR
 
Participaram nesta cerimónia a presidente da assembleia municipal da capital, oficiais dos vários ramos das Forças Armadas, o Partido Popular Monárquico (PPM), o Partido Nacional Renovador (PNR),  a Associação dos Amigos de Olivença, entre outras entidades.
 
Para a presidente da assembleia municipal de Lisboa, Simonetta Luz Afonso, faz todo o sentido recordar o 1º de Dezembro.
 
“Foi um momento importante da nossa História, em que nós, mais uma vez, afirmámos a nossa independência. Nós somos um dos países da Europa com a Língua e as fronteiras mais antigas”, afirma Simonetta Luz Afonso.
 
Na altura da deposição de flores frente ao monumento da restauração participaram os Amigos de Olivença, o PPM e o PNR de extrema-direita, com o seu líder José Pinto Coelho.
 
A Câmara Municipal de Lisboa "desconhece" os critérios de escolha para a deposição de flores e demarca-se da situação, refere Simoneta Luz Afonso.
 
Por seu lado, o presidente da Sociedade de História, Jorge Rangel, que organizou a cerimónia oficial, diz que todas as instituições podem participar nesta cerimónia oficial.
 
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publicado por Expressões Lusitanas às 22:41 | link do post | comentar

                             

 

A Restauração da Independência foi o acontecimento mais marcante deste período [entre 1600 e 1649]. Os Conjurados, membros da aristocracia do País, apoiam e envolvem o Duque de Bragança, neto de D. Catarina, numa conspiração para acabar com o Domínio Filipino, como ficou conhecida a dupla monarquia que juntou sobre a mesma coroa o domínio da Península Ibérica. Assegurados do apoio popular e de grande parte da aristocracia de Portugal, os Conjurados dirigem-se ao Paço da Ribeira, aniquilam Miguel de Vasconcelos [ver rodapé] e intimam a Duquesa de Mântua a renunciar ao poder, proclamando a Independência de Portugal e a ascensão ao poder pelo Duque de Bragança, aclamado sob o nome de D. João IV, que dá início à quarta e última dinastia real, a Dinastia de Bragança. *com RevelarLX
 
*Nota de rodapé:
 
Em finais de 1634, Miguel de Vasconcelos era transferido do seu posto de escrivão da Fazenda para as elevadíssimas funções de secretário de Estado, em Lisboa, junto da duquesa, cargo em que teve ensejo de desagradar muito aos Portugueses não partidários de Castela.

 

(…) Era no duque [de Bragança], com efeito, que se pensava para chefe da insurreição e futuro monarca de Portugal independente; mas ele não achava oportuno o momento para tão grande aventura e tratou de dar provas públicas de que reprovava a ideia. É de notar, todavia, que aos incitamentos internos se acrescentava um exterior, provindo da França, (…) então em luta com a Espanha, [que] se empenhava em impelir Portugal e a Catalunha contra o governo de Madrid.

 

(…) Em 1638 tomou o conde-duque uma outra resolução que descontentou a nossa gente: a pretexto de os consultar sobre uma projectada reforma da administração do nosso País, convocou a Madrid grande número de fidalgos e ordenou levas de tropas para servir nas guerras que a monarquia espanhola sustentava, sangrando assim Portugal das suas maiores forças.
 
 (…) O que veio dar mais impulso à ideia da independência foram as novas exigências do conde-duque. Em Junho de 1640, com efeito, insurgia-se a Catalunha e Olivares pensou em mandar portugueses a combater os catalães revoltados, ao mesmo tempo que se anunciavam novos impostos. (…) Aderiram à conjura o juiz do povo, os Vinte e Quatro dos mesteres e vários eclesiásticos, entre os quais o arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunha. Deram também a sua colaboração o doutor Estêvão da Cunha, deputado do Santo Ofício e D. António Telo.
 
Em Outubro realizou-se uma reunião conspiratória no jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, D. Luísa de Gusmão.
 
(…) Chegado a Lisboa a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convocou os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se estudar em pormenor o plano do levantamento, amiudando-se as reuniões. Por fim, marcou-se o momento de sublevação: 9 horas da manhã de sábado, 1.º de Dezembro.
 
Na noite de 28 para 29 surgiram complicações, por haver quem julgasse que eram poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem quiseram encarregar de transmitir ao duque o intuito de se adiar, opôs-se tenazmente a tal ideia, numa discussão que se prolongou até as 3 horas da manhã.
 
(…) O dia 1.º de Dezembro amanheceu de atmosfera clara e muito serena. Tinham-se os conjurados confessado e comungado e alguns deles fizeram testamento. Antes das 9 horas foram convergindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Soadas as nove horas, dirigiram-se os fidalgos para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares tinha por objectivo assaltar o forte contíguo ao palácio e dominar a guarnição castelhana, apenas os que deveriam investir no paço iniciassem o seu ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Estava restaurada a independência..."
 
In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada, Vol. 25, Lisboa/Rio de Janeiro, 1978, pp. 317-319  (com adaptações e maior clareza sintáctica)
 
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Domingo, 29.11.09

     

 

A Revolução Francesa ocasionou diversos conflitos - as chamadas Guerras Napoleónicas - protagonizadas por França e Inglaterra, as maiores potências europeias, entre finais do século XVIII e inícios do século XIX, mas que envolveria outras nações.
 
Dentro da estratégia hegemónica de Napoleão Bonaparte, que se tornara Imperador de França em 1804, o domínio da Península Ibérica era fundamental para travar o forte poder marítimo inglês no Atlântico e nos portos comerciais do Mediterrâneo, assim como o seu poder económico, uma vez que quem dominava economicamente, tinha igualmente a supremacia política na Europa.
 
Para o conseguir, Napoleão decretou, a 21 de Novembro de 1806, o Bloqueio Continental, isto é o encerramento dos portos de todos os países europeus ao comércio inglês, pretendendo, deste modo, enfraquecer Inglaterra. Para tal, importava sobremodo a adesão dos países situados nos extremos do continente europeu, nomeadamente os do Império russo e da Península Ibérica.
 
Excepto Portugal, histórico aliado dos ingleses, que manteve uma política de neutralidade, embora simpatizante de Inglaterra, todas as nações fecharam os seus portos ao comércio com Inglaterra.
 
Como consequência, no final de 1807, um exército francês de 24.000 homens, sob o comando do general Jean-Andoche Junot, invadiu Portugal, apoiado por três exércitos espanhóis. Os portugueses não ofereceram resistência, tendo o príncipe regente, D. João, partido para o Brasil com a família real e a respectiva corte, escoltado por uma frota inglesa, assegurando, deste modo, a independência nacional.
 
Junot formou então governo em Lisboa, e as suas tropas ocuparam importantes fortalezas do reino. O governo britânico reagiu, auxiliando Portugal com um exército, em Agosto de 1808, comandado por Sir Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, que combateu o exército de Junot no Vimeiro e negociou a Convenção de Torres Vedras-Lisboa, comummente designada por Convenção de Sintra, para a expulsão das tropas francesas de Portugal.
 
O exército francês invadiu de novo o país, pelo Norte, desta vez comandado pelo marechal Nicolas Soult, ocupando a cidade do Porto. Wellesley regressou a Portugal com tropas britânicas. Com o apoio de um exército português, reorganizado sob o comando do marechal William Carr Beresford, tendo atacado Soult e expulsado os soldados franceses de Portugal.
 
Determinado a vencer a Guerra Peninsular, Napoleão enviou o seu melhor marechal André Masséna, para que invadisse novamente o reino de Portugal, com 65.000 homens, em Setembro de 1810.
 
Entretanto, Inspirado nos trabalhos de José Maria das Neves, Arthur Wellesley enviou, a 20 de Outubro de 1809 um Memorando a Fletcher, mandando construir secretamente um conjunto de fortificações.
 
O Memorando mandava reconhecer o terreno e fortificar os pontos mais convenientes e defensáveis, criando um sistema de defesa que viria a ser conhecido por Linhas de Torres Vedras – três linhas com um total de 152 redutos e 600 peças de artilharia, um sistema de comunicações com postos de sinais, defendido por 36.000 portugueses, 35.000 britânicos, 8.000 espanhóis e cerca de 60.000 homens de tropas portuguesas não regulares, estendidos ao longo de mais de 88 quilómetros - o maior sistema de defesa efectiva na história, construído durante a Guerra Peninsular, sob a direcção do Tenente-coronel britânico Richard Fletcher, que deu aos acontecimentos de Portugal uma dimensão europeia.
 
É este acontecimento singular da história – As Linhas de Torres Vedras - que aqui se presentifica, procurando fazer-se a sua comemoração, passados 200 anos da sua construção.
 
Carlos Guardado,
Presidente da Comissão Executiva
 
(retirado da página oficial das comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras)
 
Foto: CM Sobral de Monte Agraço


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