Terça-feira, 2 de Março de 2010

 

Oiça a reportagem:

 

Anaquim é um duende com molas nos pés que se esconde a observar o mundo dos outros “como se dele fizesse parte”, vendo as coisas de uma forma “imparcial” e “fresca”, convidando à "mudança” e combatendo o “conformismo”.

 
Daniel Pinto Lopes
 

“Em traços gerais e exteriores é um duende com 1,20 metros de altura e com molas nos pés, para reflectir o carácter saltitão de algumas músicas e também para lhe permitir aparecer e desaparecer nos sítios, porque é suposto que ele seja observador e cronista”, explica ao Expressões Lusitanas o mentor do projecto, José Rebola.

 

Anaquim consegue ver as coisas de uma forma “imparcial” e sem estar associado ao “peso de um passado e de uma tradição”. Consegue alhear-se de uma realidade “anterior” de preconceitos e estereótipos e, através deste olhar “imparcial”, consegue “transmitir” aquilo que vê.

 

“É uma espécie de visão fresca do mundo. A questão que se coloca é o que pensaria um duende que chegasse aqui sendo uma folha em branco? Há coisas que só continuamos a fazer porque sempre fizemos assim e, portanto, só tirando este tapete da tradição ou do hábito é que podemos ir ao cerne de algumas questões e ver se fazem sentido”, detalha.

 

Natural de Coimbra, José Rebola dá vida a esta personagem e confessa que, para ele, é “impossível” ter este olhar imparcial e esta “visão fresca”. Refere que deve ser um “heterónimo” e um “alter-ego” de todos.

 

Nascido em 2006, o projecto Anaquim surgiu a partir de canções que foram escritas para um outro projecto que teve em mãos – “The Cynicals” -, “mais virado para o punk rock e de expressão inglesa”.

 

Ao começar a escrever canções que não se “enquadravam” no “perfil musical” deste seu primeiro projecto, as letras ficaram fechadas numa gaveta “a amadurecer”. Quando “chegou o seu tempo”, começou a mostrar as letras a “outras pessoas”, que chegaram a um locutor da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), tendo “feito a ponte” para o compositor JP Simões.

 

“Ele andava à procura de bandas para o ‘Quilómetro Zero’ e, mais tarde, ligou-me a perguntar se podia gravar um ensaio para passar no programa. Na altura não tinha músicos, porque tinha sido eu a fazer tudo e era um projecto a solo”, recorda.

 

Vários amigos de José Rebola juntaram-se para integrar este seu novo projecto. Foram escritas novas canções e o resultado culmina no lançamento de um disco.

 

Neste “As Vidas dos Outros”, José Rebola canta precisamente as “vidas dos outros” e desmultiplica-se em várias personagens de um bairro “imaginário” e "familiar".

 

De acordo com o autor de Anaquim, este disco é um convite para a “mudança”, porque o que se pretende é que as pessoas se “apercebam de algumas coisas” e façam “aquela pergunta chata – porquê?”

 

Contudo, adverte que este disco não pretende ser “nenhuma lição de moral”, nem “nenhuma ordem ou instrução”. Antes, “uma primeira fala de uma conversa” que se deve ter com as pessoas.

 



publicado por Expressões Lusitanas às 13:42 | link do post

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