Sábado, 19.02.11

 

Um dos fundadores da Clean Feed, Pedro Costa, na loja de discos da editora – Trem Azul


A Clean Feed editou em dez anos de existência cerca de 225 discos de ‘jazz’ e “música de improviso”, dos quais cerca de 50 são da autoria de artistas portugueses, um número que um dos fundadores da editora, Pedro Costa, considera ser “muito bom”. Mais de metade dos álbuns editados são exportados, tendo em conta que o "principal mercado" é os Estados Unidos.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

A missão da Clean Feed consiste em “documentar” o ‘jazz’ e a “música improvisada” no “estado em que está hoje”. “Estamos a documentar esta época neste tipo de música”, elucida ao Expressões Lusitanas um dos fundadores da editora portuguesa, Pedro Costa.

 

Nascida em 2001, comemorando este ano o seu décimo aniversário, a Clean Feed editou até agora 225 discos, 50 dos quais são de artistas nacionais. “Não acho que seja um valor baixo. Não temos apoios nenhuns, logo, se quiséssemos, editávamos apenas artistas americanos ou japoneses. Não há um compromisso de editar músicos portugueses. Editamos, sim, aqueles que achamos ter interesse em fazer parte de uma editora que quer documentar uma era na música”, refere.

 

Anualmente, a Clean Feed vende uma média de 15 mil discos, dos quais a maior parte é exportada. “O nosso maior mercado é os Estados Unidos da América (EUA)”, indica. Contudo, a distribuição dos discos lançados pela editora chega também a outros países, como o Japão, Canadá, Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Espanha, Israel, China, Suíça e Noruega. As vendas são feitas em loja, através dos distribuidores locais. O mercado digital é ainda outra das apostas.

 

O que faz, então, despertar o interesse pelo ‘jazz’ produzido em Portugal, independentemente da nacionalidade dos seus intérpretes? “Tudo reside na música e nos discos que editamos. Temos o cuidado com as capas, grafismo utilizado, qualidade das gravações, informação incluída no álbum e até a própria embalagem”, detalha o responsável ao Expressões Lusitanas.

 

E a crise? Estará a Clean Feed a sofrer dos efeitos derivados da crise económica? “Nós já nascemos em contexto de crise (2001) e, apesar disso, de ano para ano a coisa tem corrido melhor e temos vendido mais discos”, aponta Pedro Costa, falando em “contra ciclo”.

 

Contudo, há uma outra crise que afecta “bastante” a Clean Feed e a indústria discográfica em geral: a pirataria.

 

“Passada uma semana depois da edição do mais recente disco do pianista Bernardo Sassetti – “Motion” –, já tinham sido feitos 11 mil ‘downloads’ ilegais. Se um por cento dessas pessoas comprasse o disco, isso já representava uma mais-valia para nós”, exemplifica.

 

Desde 2006, a Clean Feed realiza um festival de ‘jazz’ em Nova Iorque, nos EUA. Em algumas edições, artistas portugueses partilharam o palco com músicos norte-americanos e de outras nacionalidades. Este ano, o evento realiza-se entre os dias 01 e 15 de Julho e está garantida a presença do quarteto de Luís Lopes (guitarra), com Rodrigo Amado (saxofone) e dois músicos norte-americanos. À entrada vai haver uma mostra de vinhos e de queijos nacionais.

 

O investimento neste tipo de iniciativas ronda os seis mil euros e o retorno “compensa”. “Permite fazer promoção e divulgar a editora, para além de, uma vez por ano, estarmos próximos dos nossos artistas”, afirma.

 

Recorde-se que, a 24 de Junho do ano transacto, o presidente da República Cavaco Silva visitou a editora e respectiva loja, localizada em Lisboa, no âmbito da quinta jornada do Roteiro para a Juventude. Pedro Costa diz que toda a equipa ficou “surpreendida” pela visita.

 

“Trouxe bastante visibilidade na altura. Nós somos sempre mais conhecidos e despertamos mais curiosidade lá fora do que cá”, lamenta ao Expressões Lusitanas.

 

Para o futuro, o responsável pela Clean Feed pondera criar um clube próprio da editora, espaço no qual “os músicos possam apresentar a sua música” e “conviver”.

 

 



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Terça-feira, 14.12.10

Made Out Portugal

 

 

A Made Out Portugal (MOP) é uma plataforma criada por ‘designers’ portugueses a desenvolver trabalho na área, fora de Portugal. A falta de absorção do mercado de trabalho de licenciados em ‘design’, que anualmente saem das universidades portuguesas, motivou jovens ‘designers’ a procurar soluções num contexto internacional.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Os programas de intercâmbio europeu Leonardo Da Vinci e INOV-Art têm proporcionado estágios a vários ‘desginers’ no velho continente. Fruto destas experiências, muitos acabam por se estabelecer nos países para onde foram estagiar ou estudar.

 

“Portugal não tem, de momento, estrutura para absorver os inúmeros licenciados em ‘design’ que, todos os anos, saem das universidades e politécnicos. Por outro lado, não existe uma estratégia concertada de todos os agentes intervenientes para que o ‘design’ em Portugal possa evoluir naturalmente”, refere ao Expressões Lusitanas um dos coordenadores do Made Out Portugal, Bruno Carvalho.

 

Como contraponto, o ‘designer’ português refere o exemplo da Holanda, país no qual é “perfeitamente normal” os recém-licenciados “abrirem o seu pequeno estúdio” e “começaram a produzir trabalho”.

 

Bruno Carvalho detalha ainda que a “estratégia dos diversos agentes intervenientes”, a “promoção dos alunos pelas próprias escolas”, os apoios estatais, a divulgação pela imprensa e as características empreendedoras da cultura holandesa são os factores explicativos para o que se vive na Holanda, no que ao ‘design’ diz respeito.

 

O objectivo da Made Out Portugal consiste em “dinamizar projectos de ‘designers’ portugueses” que, por motivos pessoais e profissionais, residem fora de Portugal.

 

“Uma das formas de potenciar a plataforma é através da realização de exposições nos mais importantes eventos de ‘design’ internacionais europeus (Milão, Berlim, Londres, Lisboa) ”, explica Bruno Carvalho.

 

Não há sócios fundadores no projecto. Bruno lançou o desafio aos ‘designers’ a trabalhar, estagiar ou estudar na Holanda. “Nesta altura, fez sentido circunscrever ao território holandês, por questões de logística e de custos operacionais”, afirma. O raio de acção estende-se agora a todos aqueles que desenvolvem trabalho fora de Portugal, em qualquer área do ‘design’.

 

Actualmente, a plataforma é constituída por uma pequena equipa operacional formada pelo próprio Bruno Carvalho, Sofia Evans e Ana Rita Sousa. Coordenação e relações públicas, produção e ‘design’ gráfico, comunicação e fotografia são as tarefas respectivas.

 

A Made Out Portugal esteve presente na Dutch Design Week, exposição que teve lugar em Eindhoven, na Holanda, no passado mês de Outubro. Ao todo participaram novo ‘designers’ e cada um deles apresentou projectos de autor.

 

“A plataforma pretende ter um sistema de colaborações in/out, ou seja, cabe aos ‘designers’ decidir se querem participar num evento orientado pela MOP. A autoria dos projectos e a sua comercialização continuam a ser da responsabilidade do ‘designer’”, sustenta Bruno Carvalho.

 

O ‘designer’ português continua a trabalhar na Holanda. Questionado pelo Expressões Lusitanas sobre se pretende regressar a Portugal num futuro próximo, Bruno Carvalho diz que pretende regressar “e voltar a sair”.



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