Sábado, 13.03.10

 

Luís Osório sente-se “chocado” por “ninguém” da emissora ter marcado presença no lançamento do livro do jornalista Pedro Múrias, dispensado enquanto estava de baixa a lutar contra o cancro. Rejeita comentar o actual rumo e o “desinvestimento” no RCP, esperando que possa um dia “ressurgir”.

 
Daniel Pinto Lopes
 

O ex-director do Rádio Clube Português, Luís Osório, apresentou o livro do “amigo e colega” Pedro Múrias, “Crónicas da Sala de Espera”, que retrata o dia-a-dia do jornalista e doente de cancro nos hospitais onde fez os tratamentos e a cirurgia para a remoção do tumor.

 

Neste livro o leitor pode, de acordo com Pedro Múrias, “encontrar um diário” e reconhecer-se nas “grandes angústias” pelas quais passou, dando uma “força” e um “incentivo” a todos aqueles que estão na mesma situação.

 

No final do lançamento do livro, Luís Osório lamentava ao Expressões Lusitanas que todo o mediatismo que existiu à volta deste lançamento “não teve a ver com o talento do Pedro Múrias”, mas “com a forma como saiu do RCP”. Uma decisão que classifica “lamentável” por parte da Media Capital.

 

“Infelizmente, não há nenhum grande grupo empresarial em que os administradores conheçam verdadeiramente as pessoas que lá trabalham”, destaca.

 

Luís Osório refere ainda que aceitou o convite para fazer o lançamento do livro pelo “talento” do seu autor e não “pela forma como foi despedido”.

 

“Eu também saí do RCP e qualquer opinião que tenha sobre este assunto seria sempre vista como uma pequena vingança da minha parte. Creio que seria patético, até porque não tenho vontade de me vingar de coisa nenhuma. Sinto, sim, vontade de dizer que este é um bom e bonito livro”, explica.

 

O anterior director da estação da Media Capital ficou “chocado” com o facto de “ninguém” do Rádio Clube ter estado presente no lançamento do livro de Pedro Múrias, tendo em conta que se trata de “um colega”. Luís Osório rejeita a ideia de “represálias” por parte da administração da empresa, apontando uma situação “dramática” que se vive no jornalismo – “a auto-censura dos jornalistas mais novos”.

 

Luís Osório recorda os quatro anos em que esteve à frente da direcção do Rádio Clube Português. Por um lado diz que foram “anos ganhos” naquilo que considera ter feito “nascer um projecto muito difícil” e contribuir para o “crescimento” de pessoas e profissionais. Por outro lado, quando não vê ninguém do RCP no lançamento do livro, afiança que, enquanto director, foram “anos perdidos” o “trabalho” que teve com “estas pessoas”.

 

O ex-responsável não comenta o rumo actual do Rádio Clube Português nem a troca recente de frequências com a M80 (do mesmo grupo). Confessa estar a “torcer” para que o RCP “possa ainda ter um renascimento”, admitindo, contudo, as notícias que dão conta de um “desinvestimento” na emissora, porque é uma “rádio cara” e “sem tradição em Portugal”.

 

Para o futuro, Luís Osório afirma ter “muitas coisas”, entre as quais destaca o término da biografia autorizada do presidente do Conselho de Administração do Millenium BCP, Jardim Gonçalves.

 



publicado por Expressões Lusitanas às 17:22 | link do post | comentar