Sexta-feira, 12.11.10

Bill Gates e a sua mulher Melinda


A Fundação de Bill Gates vai apoiar duas equipas portuguesas que estão a realizar trabalhos sobre a malária. Uma das investigações estuda os processos que regulam a inflamação e a outra procura avanços na busca de uma vacina para a doença.

 

Expressões Lusitanas

Com TSF

 

Pela primeira vez, a Fundação do homem forte da Microsoft vai financiar o trabalho de cientistas portugueses. Cada um dos projectos deve receber uma bolsa de cerca de 70 mil euros.



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Terça-feira, 19.10.10

 

O “homem sem rosto” tem um nome. Chama-se José Mestre. Passou os seus últimos anos de vida no Rossio e nos Restauradores, em Lisboa. Recentemente foi operado em Chicago (EUA) e foi-lhe removido um tumor de 40 centímetros e 5,5 quilos. A informação é da estação de televisão norte-americana ABC.

 

Expressões Lusitanas

Com Lusa

 

O tumor, que cobria a maior parte do rosto e punha em risco a vida de José Mestre, foi retirado, depois de três meses de preparação em Chicago, nos Estados Unidos. Foram necessárias quatro cirurgias.

 

“Finalmente teve uma hipótese de levar uma vida mais ou menos normal porque, antes disto, [José Mestre] sentia que, apesar de nunca o ter pedido, era o centro das atenções em todo o lado”, disse o seu tradutor à ABC.

 

Nos últimos tempos, José Mestre não estava sentado no seu lugar no Rossio, tudo porque, em Julho do ano passado, com 53 anos, foi convidado pelo canal de televisão Discovery para filmar em Londres um documentário sobre o seu problema.

 

O programa intitulado “O homem sem cara” foi apresentado no início de Dezembro, mostrando o rosto deformado do homem. Posteriormente, o canal de televisão contactou dois médicos famosos nos hospitais de St. Bartholomew e de Broomfield para pedir uma opinião.

 

Ian Hutchison, o médico do St. Bartholomew consultado, ofereceu-se de imediato para lhe fazer uma cirurgia inovadora e de graça, devolvendo a José Mestre o rosto que, desde criança, se vinha a deformar. Ao mesmo tempo prometia uma melhoria da qualidade de vida, já que lhe possibilitaria respirar melhor, falar, comer e ver.

 

A maior dificuldade foi conseguir o acordo do próprio José Mestre que, como testemunha de Jeová, mostrou reservas em fazer a cirurgia.

 

No entanto, o facto de, nos últimos meses, o tumor lhe ter provocado cegueira de um dos olhos, e além de ter coberto por completo a boca e a língua, levou a sua irmã a insistir na operação.

 

“Se não fosse feito nada, ele morria”, explicou à ABC a irmã Edite Abreu, garantindo que, “agora, ele tem uma nova vida”.

 

José Mestre foi submetido a duas cirurgias perigosas nos últimos dias para reconstruir o seu rosto e está ainda a recuperar. Agora, o seu rosto está envolto em gaze, mas já consegue deslocar-se sozinho e falar, com dificuldade.

 

“Este foi provavelmente o maior tumor jamais retirado e, por isso, foi muito difícil fazê-lo sem deformar o rosto”, explicou Ramsen Azizi, um dos cirurgiões que está encarregue do caso.

 

José Mestre saiu do hospital na segunda-feira à tarde e voltará a Portugal daqui a poucas semanas, refere a ABC.



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Sábado, 13.03.10

“Nos dias de hoje estou completamente nas tintas para a Media Capital e para as pessoas que me despediram”

 

 

Pedro Múrias relata em “Crónicas da Sala de Espera” o quotidiano da luta que trava contra o cancro colo-rectal que lhe foi diagnosticado. As crónicas começaram nos microfones do programa “Janela Aberta” do Rádio Clube Português (RCP) e estão agora escritas em livro. Em entrevista exclusiva ao Expressões Lusitanas o jornalista descreve os momentos mais marcantes de um ano de luta contra a doença. Não esquece a “revolta” que sentiu quando a Media Capital Rádios (dona do RCP) o despediu enquanto estava de baixa a lutar contra a doença. “Achei que a Media Capital estava mais doente do que eu”, acusa.

 

Expressões Lusitanas: As “Crónicas da Sala de Espera” começaram na rádio, mais concretamente no Rádio Clube Português. Como surgiu esta ideia?

Pedro Múrias: Surgiu de um grande susto que apanhei na vida – um cancro colo-rectal. Na altura trabalhava no Rádio Clube e éramos um clube de amigos e com um espírito de equipa fantástico. Entretanto, achámos que ao relatar as crónicas era uma forma de ajudar a superar isto, porque estávamos muito em baixo.

 

Expressões Lusitanas: Algumas destas crónicas eram relatadas a partir da sala de tratamento de quimioterapia dos hospitais por onde passou. Era-lhe difícil transmitir aquilo que estava sentir ou servia para dar uma força e incentivo a outras pessoas que estavam na mesma situação?

Pedro Múrias: Sinceramente, eram um grande incentivo para mim, de um ponto de vista mais egoísta ou pessoal. Contudo, penso que também ajudei muita gente a superar o mesmo que eu.

 

Expressões Lusitanas: Recebeu alguma mensagem por parte dos ouvintes?

Pedro Múrias: Muitas! Todos os dias. Ainda hoje recebo.
 

Expressões Lusitanas: Houve alguma que lhe tocou em particular?

Pedro Múrias: Uma senhora agradeceu-me porque, como estava a chorar, teve de encostar o carro na A8. Recebi agora outra mensagem de uma senhora que diz que me vai escrever todos os anos no mesmo dia para ter a certeza de que estou vivo. São duas grandes mensagens.

 

Expressões Lusitanas: De um momento para o outro é despedido da Media Capital Rádios, enquanto ainda estava de baixa a lutar contra o cancro. O que é que sentiu quando soube da notícia pela primeira vez?

Pedro Múrias: Uma enorme revolta! Achei que a Media Capital estava mais doente do que eu. Mas nos dias de hoje sinceramente não me importa. Estou-me completamente nas tintas para a Media Capital e para as pessoas que me despediram…

 

Expressões Lusitanas: O que sente hoje não é o mesmo quando soube da notícia pela primeira vez?

Pedro Múrias: Não, porque entretanto escrevi este livro, que está agora a ser publicado. Isso é uma coisa fantástica na vida de uma pessoa e que não tem preço. Ser despedido ao pé de uma coisa destas não conta. É uma coisinha de nada no meu passado. Hoje é um dia de partida e não de chegada.

 

Expressões Lusitanas: As “Crónicas da Sala de Espera” deixaram de ser relatadas no RCP e passaram a ser escritas num blogue. Agora temos um livro. Como surgiu a ideia de as compilar?

Pedro Múrias: Ainda antes de ir para o hospital, a editora Difel convidou-me para escrever estas crónicas e, posteriormente, passá-las a livro.

 

Expressões Lusitanas: Quem lê o livro pela primeira vez, o que pode esperar?

Pedro Múrias: Pode encontrar aqui um diário e reconhecer-se nas grandes angústias pelas quais passei. Pensar que não estão sozinhos. Estão aqui [na apresentação do livro] pessoas que passaram pelo mesmo e isto ajuda. É uma força que se cria.

 

Expressões Lusitanas: Para o futuro, tem planos?

Pedro Múrias: Os próximos dois passos é ir ao hospital renovar a baixa e inscrever-me no centro de emprego. A curto prazo…

 
Sobre o cancro colo-rectal:

O cancro colo-rectal é o segundo cancro mais comum na Europa e o segundo de maior incidência e mortalidade em Portugal, país onde ocorrem mais de três mil mortes todos os anos.

Desde a década de 80 que a mortalidade continua a aumentar, verificando-se que, por dia, morrem nove a dez pessoas vítimas deste carcinoma.

Entre os sinais de alerta que exigem a procura imediata de ajuda médica incluem-se: alteração constante dos hábitos intestinais sem razão aparente e fezes muito escuras, perda de sangue pelo recto/ânus sem dor ou prurido, sensação de que o intestino não esvazia totalmente e dor ou desconforto abdominal sem razão aparente.

Fontes: Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, Europacolon e IPATIMUP.

 

 



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