Terça-feira, 03.08.10

Foto: Igreja Matriz na Praça da Liberdade, em Entradas


A pacata vila de Entradas, perto de Castro Verde, no Alentejo, preparou-se a rigor para receber as gravações da série de ficção história da RTP “O Segredo de Miguel Zuzarte”. O ritmo tranquilo da localidade contrasta com o rebuliço da produção da série.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

O dia estava muito quente. Só apetecia estar à sombra. Por volta da hora do almoço, momento em que as gravações fizeram uma pausa, os habitantes de Entradas recolheram às suas casas. Não se via quase ninguém na rua.

 

A excepção reside, por agora, no Centro Cultural de Entradas, que, nos dias das gravações, é invadido pelo rebuliço normal da produção de uma série de alguma envergadura.

 

 

Grande parte da infra-estrutura é ocupada pelo vasto guarda-roupa, figurinos, espaço de maquilhagem e um cabeleireiro improvisado.

 

As refeições de todos os intervenientes (directos ou indirectos) na produção de “O Segredo de Miguel Zuzarte” são tomadas numa sala mais pequena do Centro Cultural. Um momento de convívio entre actores, produtores e alguns populares que por ali passaram.

 

“Estarem 40 ou 50 pessoas a trabalhar diariamente na produção de uma série é um factor de animação significativo [para a vila]. Quando se forem embora, a população vai estranhar”, afirma ao Expressões Lusitanas o presidente da câmara municipal de Castro Verde, Francisco Duarte.

 

Foto: Presidente da câmara municipal de Castro Verde, Francisco Duarte

 

Os figurantes de “O Segredo de Miguel Zuzarte” são habitantes de Entradas. Quem não teve a oportunidade de fazer parte da série, acompanha as gravações nas várias ruas adjacentes à Praça da Liberdade, o local de gravações.

 

Foto: Figurantes da série “O Segredo de Miguel Zuzarte”

 

Outros preferem acompanhar o “corta” e “grava” sentados na pequena esplanada do “Café Central, ponto de encontro e de convívio na localidade.

 

Foto: As gravações podiam ser acompanhadas no Café Central de Entradas

 

A desertificação em Entradas é notória. A vila, que actualmente alberga 600 habitantes, foi em tempos sede de concelho e chegou a ter perto de 1000 residentes.

 

O nome Entradas advém de ter sido a entrada para o então apelidado “campo branco”. Durante o Inverno, o gado proveniente da Serra da Estrela e de Espanha concentrava-se nesta zona, para além de ser taxado o imposto ao seu proprietário.

 

Por ocasião da Feira de Castro, que se realiza no terceiro fim-de-semana de Outubro, vai ser inaugurado o Museu da Ruralidade. Trata-se do “repositório da memória oral do concelho”, explica o edil.

 

“Algumas peças que poderão ser vistas no museu estão a fazer parte do cenário da série”, destaca.

 

Contudo, o espólio “principal” do museu não se traduz apenas em peças ou documentos escritos, mas em vídeos e gravações, ou seja, a “memória oral”, em que é “necessário” gravar os “testemunhos vivos” das gentes da terra.



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Sábado, 31.07.10

Foto: Actor Ivo Canelas a desempenhar a personagem Miguel Zuzarte


Estão a decorrer as gravações de “O Segredo de Miguel Zuzarte”, uma de quatro séries de ficção histórica que a RTP vai transmitir durante o mês de Outubro, no âmbito da celebração do centenário da República. A localidade de Entradas, perto de Castro Verde, acolhe as gravações até ao final do dia de hoje.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Sob um sol abrasador decorreu mais um dia de gravações na pacata localidade de Entradas, no Alentejo.

 

As gentes da vila espreitavam por cada rua paralela à Praça da Liberdade, junto à Igreja Matriz. Havia quem assistisse ao rodopio do “grava” e “corta” sentado na esplanada do ‘Café Central’ de Entradas.

 

Na ficção, a história passa-se em 04 de Outubro de 1910 e nos cinco dias que se seguem à implantação da República em Portugal.

 

Em “O Segredo de Miguel Zuzarte”, a localidade de Entradas transforma-se em São Lourenço, uma pequena aldeia perdida no Baixo Alentejo, cujo contacto com o mundo exterior é feito através das notícias recebidas pelo telégrafo e da chegada diária do comboio, que abastece a povoação.

 

O jovem monárquico convicto Miguel Zuzarte chega a São Lourenço com a mãe para substituir o tio, acabado de falecer, enquanto telegrafista da aldeia.

 

No primeiro dia de trabalho, Miguel Zuzarte recebe um telegrama que o deixa em estado de choque: a República tinha sido proclamada. Descontrolado, o monárquico desliga o telégrafo e decide não contar a novidade à população, criando um segredo.

 

Nesse dia e nos cinco seguintes, o comboio não chega à estação, o que leva os habitantes de São Lourenço a desconfiar de que algo se passa.

 

O actor Ivo Canelas tem a responsabilidade de interpretar a personagem principal, Miguel Zuzarte. Ao Expressões Lusitanas, refere que há “um lado fanático” da personagem que considera ser “engraçado”.

 

“Quando provocados ou tocados em algo que nos diz profundamente, vamos sempre mais longe e as coisas vêm ao de cima”, detalha, referindo-se ao facto de a sua personagem optar por esconder a novidade aos habitantes, dada a sua convicção em relação ao regime monárquico.

 

Ivo Canelas afirma ter sido convidado pelo realizador Henrique Oliveira para fazer parte do elenco e confessa “conhecer bem” o seu trabalho.

 

Para a realização de “O Segredo de Miguel Zuzarte”, houve dois desafios essenciais para a sua concretização.

 

“Um deles foi encontrar uma aldeia no Alentejo que tivesse poucos traços da modernidade, como os candeeiros de rua, os cabos eléctricos e as antenas de televisão”, enumera Henrique Oliveira ao Expressões Lusitanas.

 

O sotaque foi o segundo desafio e, para o contornar, fazem parte do elenco actores alentejanos.

 

“A maior parte dos actores que fazem de alentejanos são naturais do Alentejo, tais como o António Cordeiro, Dinarte Branco, Figueira Cid, Maria D’Aires e Rui Pisco. Por isto, a credibilidade da série sobe um patamar”, esclarece o realizador.

 

Uma das personagens mais controversas desta ficção chama-se Nazário e é encarnada por António Cordeiro.

 

Agricultor rico e dono da casa mais vistosa da aldeia, Nazário tem um caso com uma rapariga de 15 anos, de seu nome Águeda, com o consentimento da mãe, a quem dá dinheiro.

 

“Trata-se de uma figura amoral. Sendo o homem mais rico da terra, toda a gente o teme. O seu poder exerce-se sob esse temor. Tem um lado negro com uma criança que diz ser sua afilhada, mas acho que é muito mais do que isso...", adianta António Cordeiro, que, para além de fazer parte do elenco, é ainda director de actores.

 

Isabel Finkler, responsável pelo guarda-roupa, sustenta que é “difícil ter acesso em Portugal a roupas desta época”, confessando que a maioria do material “vem de Espanha”.

 

“O Segredo de Miguel Zuzarte” tem estreia marcada para o mês de Outubro, na RTP 1.



publicado por Expressões Lusitanas às 11:15 | link do post | comentar