Segunda-feira, 12.07.10

 

O modelo informativo do Rádio Clube Português (RCP) terminou às 00:00 de hoje, 12 de Julho. Nuno Infante do Carmo assegurava a emissão no momento do encerramento. ‘E Depois do Adeus’, de Paulo de Carvalho, foi a música que fechou o RCP.

 

Daniel Pinto Lopes

Jornalista

 

Logo após o sinal horário da meia-noite começou o novo formato do Rádio Clube Português. Elvis Presley com ‘It’s Now or Never’ inaugurou a emissão com músicas dos anos 60 e 70 e três blocos informativos, o novo formato do RCP a partir de hoje.

 

Nuno Infante do Carmo foi a última voz que se ouviu nas frequências do Rádio Clube, aproveitando para se despedir dos seus ouvintes ainda faltavam sete minutos para as 00:00.

 

‘E Depois do Adeus”, tema celebrizado por Paulo Carvalho e que teve um papel simbólico e fulcral na revolução de Abril, fechou a emissão do RCP.

 

Na página da emissora estava presente uma curta mensagem, que informava os ouvintes da decisão tomada quinta-feira pela administração da Media Capital Rádios (MCR).

 

“O Rádio Clube Português, tal como é hoje, desaparece este domingo, às 23:59. A Direcção e a Equipa agradecem a fidelidade, o apoio e o entusiasmo dos milhares ouvintes que nos acompanharam ao longo destes anos, todos os dias, de manhã à noite. A Rádio foi, é e será sempre um imenso Rádio Clube”, lia-se.

 

A emissora foi fundada em 1930 por Jorge Botelho Moniz. Em 2010 iria completar 80 anos de história.



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Sábado, 13.03.10

 

Luís Osório sente-se “chocado” por “ninguém” da emissora ter marcado presença no lançamento do livro do jornalista Pedro Múrias, dispensado enquanto estava de baixa a lutar contra o cancro. Rejeita comentar o actual rumo e o “desinvestimento” no RCP, esperando que possa um dia “ressurgir”.

 
Daniel Pinto Lopes
 

O ex-director do Rádio Clube Português, Luís Osório, apresentou o livro do “amigo e colega” Pedro Múrias, “Crónicas da Sala de Espera”, que retrata o dia-a-dia do jornalista e doente de cancro nos hospitais onde fez os tratamentos e a cirurgia para a remoção do tumor.

 

Neste livro o leitor pode, de acordo com Pedro Múrias, “encontrar um diário” e reconhecer-se nas “grandes angústias” pelas quais passou, dando uma “força” e um “incentivo” a todos aqueles que estão na mesma situação.

 

No final do lançamento do livro, Luís Osório lamentava ao Expressões Lusitanas que todo o mediatismo que existiu à volta deste lançamento “não teve a ver com o talento do Pedro Múrias”, mas “com a forma como saiu do RCP”. Uma decisão que classifica “lamentável” por parte da Media Capital.

 

“Infelizmente, não há nenhum grande grupo empresarial em que os administradores conheçam verdadeiramente as pessoas que lá trabalham”, destaca.

 

Luís Osório refere ainda que aceitou o convite para fazer o lançamento do livro pelo “talento” do seu autor e não “pela forma como foi despedido”.

 

“Eu também saí do RCP e qualquer opinião que tenha sobre este assunto seria sempre vista como uma pequena vingança da minha parte. Creio que seria patético, até porque não tenho vontade de me vingar de coisa nenhuma. Sinto, sim, vontade de dizer que este é um bom e bonito livro”, explica.

 

O anterior director da estação da Media Capital ficou “chocado” com o facto de “ninguém” do Rádio Clube ter estado presente no lançamento do livro de Pedro Múrias, tendo em conta que se trata de “um colega”. Luís Osório rejeita a ideia de “represálias” por parte da administração da empresa, apontando uma situação “dramática” que se vive no jornalismo – “a auto-censura dos jornalistas mais novos”.

 

Luís Osório recorda os quatro anos em que esteve à frente da direcção do Rádio Clube Português. Por um lado diz que foram “anos ganhos” naquilo que considera ter feito “nascer um projecto muito difícil” e contribuir para o “crescimento” de pessoas e profissionais. Por outro lado, quando não vê ninguém do RCP no lançamento do livro, afiança que, enquanto director, foram “anos perdidos” o “trabalho” que teve com “estas pessoas”.

 

O ex-responsável não comenta o rumo actual do Rádio Clube Português nem a troca recente de frequências com a M80 (do mesmo grupo). Confessa estar a “torcer” para que o RCP “possa ainda ter um renascimento”, admitindo, contudo, as notícias que dão conta de um “desinvestimento” na emissora, porque é uma “rádio cara” e “sem tradição em Portugal”.

 

Para o futuro, Luís Osório afirma ter “muitas coisas”, entre as quais destaca o término da biografia autorizada do presidente do Conselho de Administração do Millenium BCP, Jardim Gonçalves.

 



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“Nos dias de hoje estou completamente nas tintas para a Media Capital e para as pessoas que me despediram”

 

 

Pedro Múrias relata em “Crónicas da Sala de Espera” o quotidiano da luta que trava contra o cancro colo-rectal que lhe foi diagnosticado. As crónicas começaram nos microfones do programa “Janela Aberta” do Rádio Clube Português (RCP) e estão agora escritas em livro. Em entrevista exclusiva ao Expressões Lusitanas o jornalista descreve os momentos mais marcantes de um ano de luta contra a doença. Não esquece a “revolta” que sentiu quando a Media Capital Rádios (dona do RCP) o despediu enquanto estava de baixa a lutar contra a doença. “Achei que a Media Capital estava mais doente do que eu”, acusa.

 

Expressões Lusitanas: As “Crónicas da Sala de Espera” começaram na rádio, mais concretamente no Rádio Clube Português. Como surgiu esta ideia?

Pedro Múrias: Surgiu de um grande susto que apanhei na vida – um cancro colo-rectal. Na altura trabalhava no Rádio Clube e éramos um clube de amigos e com um espírito de equipa fantástico. Entretanto, achámos que ao relatar as crónicas era uma forma de ajudar a superar isto, porque estávamos muito em baixo.

 

Expressões Lusitanas: Algumas destas crónicas eram relatadas a partir da sala de tratamento de quimioterapia dos hospitais por onde passou. Era-lhe difícil transmitir aquilo que estava sentir ou servia para dar uma força e incentivo a outras pessoas que estavam na mesma situação?

Pedro Múrias: Sinceramente, eram um grande incentivo para mim, de um ponto de vista mais egoísta ou pessoal. Contudo, penso que também ajudei muita gente a superar o mesmo que eu.

 

Expressões Lusitanas: Recebeu alguma mensagem por parte dos ouvintes?

Pedro Múrias: Muitas! Todos os dias. Ainda hoje recebo.
 

Expressões Lusitanas: Houve alguma que lhe tocou em particular?

Pedro Múrias: Uma senhora agradeceu-me porque, como estava a chorar, teve de encostar o carro na A8. Recebi agora outra mensagem de uma senhora que diz que me vai escrever todos os anos no mesmo dia para ter a certeza de que estou vivo. São duas grandes mensagens.

 

Expressões Lusitanas: De um momento para o outro é despedido da Media Capital Rádios, enquanto ainda estava de baixa a lutar contra o cancro. O que é que sentiu quando soube da notícia pela primeira vez?

Pedro Múrias: Uma enorme revolta! Achei que a Media Capital estava mais doente do que eu. Mas nos dias de hoje sinceramente não me importa. Estou-me completamente nas tintas para a Media Capital e para as pessoas que me despediram…

 

Expressões Lusitanas: O que sente hoje não é o mesmo quando soube da notícia pela primeira vez?

Pedro Múrias: Não, porque entretanto escrevi este livro, que está agora a ser publicado. Isso é uma coisa fantástica na vida de uma pessoa e que não tem preço. Ser despedido ao pé de uma coisa destas não conta. É uma coisinha de nada no meu passado. Hoje é um dia de partida e não de chegada.

 

Expressões Lusitanas: As “Crónicas da Sala de Espera” deixaram de ser relatadas no RCP e passaram a ser escritas num blogue. Agora temos um livro. Como surgiu a ideia de as compilar?

Pedro Múrias: Ainda antes de ir para o hospital, a editora Difel convidou-me para escrever estas crónicas e, posteriormente, passá-las a livro.

 

Expressões Lusitanas: Quem lê o livro pela primeira vez, o que pode esperar?

Pedro Múrias: Pode encontrar aqui um diário e reconhecer-se nas grandes angústias pelas quais passei. Pensar que não estão sozinhos. Estão aqui [na apresentação do livro] pessoas que passaram pelo mesmo e isto ajuda. É uma força que se cria.

 

Expressões Lusitanas: Para o futuro, tem planos?

Pedro Múrias: Os próximos dois passos é ir ao hospital renovar a baixa e inscrever-me no centro de emprego. A curto prazo…

 
Sobre o cancro colo-rectal:

O cancro colo-rectal é o segundo cancro mais comum na Europa e o segundo de maior incidência e mortalidade em Portugal, país onde ocorrem mais de três mil mortes todos os anos.

Desde a década de 80 que a mortalidade continua a aumentar, verificando-se que, por dia, morrem nove a dez pessoas vítimas deste carcinoma.

Entre os sinais de alerta que exigem a procura imediata de ajuda médica incluem-se: alteração constante dos hábitos intestinais sem razão aparente e fezes muito escuras, perda de sangue pelo recto/ânus sem dor ou prurido, sensação de que o intestino não esvazia totalmente e dor ou desconforto abdominal sem razão aparente.

Fontes: Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, Europacolon e IPATIMUP.

 

 



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