Sexta-feira, 18.12.09

 

REPORTAGEM ÁUDIO

Duração: 03min45seg

Entrevista, edição e realização de Daniel Pinto Lopes

 

Há "fortes possibilidades" de que o Palácio Valflores em Santa Iria de Azóia, no concelho de Loures, possa vir a ser "finalmente" recuperado, disse ao Expressões Lusitanas fonte da Câmara Municipal de Loures, não existindo, contudo, datas precisas.
 
Daniel Pinto Lopes
 
O caso Valflores já é longo. Já houve várias intenções de se recuperar este património classificado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) como Imóvel de Interesse Público.
 
Ao longo dos anos, o Palácio e Quinta de Valflores tiveram vários donos e passaram por várias mãos e até, mais recentemente, serviu de pocilga e de local para a seca de abóboras.
 
Em 2005, a Câmara de Loures comprou o imóvel por 500 mil euros, pelo facto de, diz a autarquia, se ter posto a possibilidade de a empresa multimunicipal de gestão de resíduos Valorsul ser parceira activa na restauração do Palácio.
 
 
 
Porém, em 2006, o Ministério do Ambiente chumbou a proposta, baseado num parecer negativo do Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR), que concluiu que a recuperação do palácio não fazia parte do objecto social da Valorsul.
 
Este ano ficou a saber-se que a recuperação de Valflores podia custar cerca de um milhão de euros, pelo que a autarquia de Loures estava à procura de um parceiro externo.
 
"Tendo em conta que o Palácio é propriedade do município, somos nós que temos de encontrar as soluções para esse fim. Adquirimos aquele espaço numa determinada perspectiva, que depois não demonstrou possibilidades de prosseguir. Neste momento temos de encontrar uma solução e é nesse sentido que estamos à procura de um parceiro para podermos recuperar o local", afirmou o vereador do Urbanismo e Obras Municipais da Câmara de Loures, João Pedro Domingues, em Março deste ano.
 
Agora, fonte da Câmara de Loures afirma ao Expressões Lusitanas que há "fortes perspectivas de que a anterior parceria com a Valorsul para reabilitar o Palácio possa voltar a estar em cima da mesa". Quando? "Ainda não há datas nem prazos definidos", garante a mesma fonte.
 
Uma possibilidade que não deixa surpreendido o presidente da junta de Santa Iria de Azóia, freguesia onde está edificado o palácio. Ernesto Costa está convicto de que vai ser a Valorsul a recuperar o imóvel.
 
"Tanto quanto eu sei, a Câmara está interessada na sua recuperação e estamos a envidar esforços para que a Valorsul obtenha o parecer favorável do Ministério do Ambiente", sublinha.
 
 
 
Ernesto Costa afirma ainda que a gestão urbana da freguesia foi feita sob influência de Valflores e, por isso, é necessário encontrar uma solução.
 
"As urbanizações que existem na freguesia têm algumas limitações, e quanto a mim bem, porque existe um palácio a que não se pode cortar as vistas. Não fazia sentido andarmos cerca de 30 anos a fazer projectos em função do edifício classificado para depois o deixarmos ruir", destaca o presidente da junta de freguesia.
 
Ernesto Costa diz ainda que, neste sentido, "seria um contra-senso deixar cair o palácio e aparecer depois uma urbanização". O autarca garante que, caso acontecesse, "iria denunciar tal situação".
 
Contactada pelo Expressões Lusitanas, a presidente da Associação de Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria de Azóia defende que "o mais importante é salvar o Palácio e saber qual o seu projecto futuro, independentemente da origem do financiamento". Cristina Mendes sublinha ainda que "todos os esforços para a recuperação serão, de certa forma, bem-vindos".
 
Actualmente, o Palácio está coberto por uma estrutura provisória para o proteger das chuvas e evitar que alguém possa aceder ao interior do imóvel.

 

O Palácio e a Quinta de Valfores foram construídos em meados do século XVI, tendo sido propriedade do mercador Jorge de Barros, que foi feitor de D. João II na Flandres. Valflores recria o estilo das casas de recreio italianas. O próprio IGESPAR reconhece o estado "muito arruinado" do paço rural de Valflores, aquele que é, de acordo com este Instituto, "um dos mais interessantes exemplares de arquitectura civil quinhentista da região de Lisboa".



publicado por Expressões Lusitanas às 19:00 | link do post | comentar